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Certo, mas ainda errado

Amoralidade é um dos tópicos mais mal-entendidos dos nossos dias. Seria uma exposição grosseiramente incompleta dizer que há muita confusão neste assunto na nossa sociedade atual. Isso acontece por várias razões, sendo uma das primeiras o abandono pela nossa cultura da idéia da verdade absoluta. Jogue a verdade absoluta pela janela e não há motivo de chamar algo de certo ou errado.

Uma outra maneira que a moralidade é freqüentemente mal-entendida é por uma super-simplificação dos assuntos sobre certo e errado. Há algumas coisas que são inerentemente erradas e nada poderá mudar isso (mentir, assassinar, roubar, etc.) Fazer o certo é um pouco mais complicado, porque há mais que considerar em fazer o certo do que a ação em si. Devemos pesar vários fatores, dos quais todos têm que estar certos antes de podermos dizer que fizemos bem. Resumindo, às vezes é possível fazer algo que em outras situações seria bom e direito, mas ainda acabar errado. Deixe-me sugerir três exemplos:

Fazer a coisa certa, mas pelo motivo errado

Em Mateus 6, Jesus criticou os fariseus por algo que deveria ser chocante para eles. Ele contestou as suas orações, os seus jejuns e o seu auxílio aos pobres. Não era o fato de fazerem estas coisas que provocou a repreensão de Jesus. De fato, estas eram, em si, coisas perfeitamente boas de se fazer. O que Jesus não gostou era a razão dos fariseus fazerem estas coisas. Fizeram a sua justiça, para serem vistos pelos homens, para receber elogios dos homens. Pegaram coisas que deveriam ser expressões de abnegação e humildade e as utilizaram para o seu próprio orgulho e egoísmo. De fato, os fariseus se tornaram mestres neste tipo de perversão da vontade de Deus. Por exemplo, piedosamente devotariam todo o seu dinheiro a Deus para que tivessem uma desculpa por não cuidar dos seus pais (Mateus 15:3-9). Fizeram coisas boas com más intenções. Isaías reclamou de maneira parecida a respeito dos judeus da sua época que pensaram que Deus se agradava apenas com o ritual do sacrifício e que a moralidade pessoal não era uma consideração em agradar a Deus. Como estavam errados! Eles sacrificavam, o que normalmente era uma coisa boa, mas Deus se recusou a aceitar os seus sacrifícios por causa das intenções com as quais foram oferecidos.

Se fizermos o que Deus mandou por razões que não sejam as que Deus tinha ao dar os mandamentos, então não estamos corretos em fazê-los. Por exemplo, você pode saber de alguma falha em alguém. Seria errado mentir sobre isso. Mas nem sempre é necessário nem benéfico falar sobre isso, e se você falar a verdade com o propósito de magoar ou envergonhar alguém, então você não fez bem mesmo que tenha contado a verdade. Às vezes, contar a verdade pode magoar alguém sem necessidade, e o silêncio seria melhor. Ou se alguém é batizado para ser como os seus amigos, ele fez algo que Deus mandou mas por uma razão totalmente errada. O valor de boas obras pode ser negado pelos motivos errados.

Fazer a coisa certa, mas da maneira errada

Às vezes, não são as nossas motivações que arruinam as nossas boas obras, mas os nossos métodos. É importante fazer a coisa certa de tal maneira que não derrote a bondade da obra em si. Isso tem várias aplicações. Considere, por exemplo, a pregação do evangelho. O evangelho é uma boa nova e alegra ao ouvi-lo. Não devemos torná-lo más notícias que ninguém agüenta ouvir pela maneira que nós a apresentamos. Devemos falar a verdade em amor (Efésios 4:15), não por maldade ou má vontade. Alguns na época de Paulo estavam pregando o evangelho com o propósito de tornar a prisão de Paulo mais difícil (Filipenses 1:15). Alguns hoje em dia parecem gostar de pregar de uma maneira que intencionalmente ofende a sua platéia. Isso apenas estraga qualquer chance que o evangelho teria com algumas pessoas e perverte a mensagem sagrada de Deus. De maneira parecida, às vezes precisamos repreender um irmão ou uma irmã quando faz algo errado. Mas como fazemos isso pode mudar completamente o final da história. Podemos repreender de uma maneira degradante e arrogante (o que não adiantará nada), ou podemos restaurar os errantes num espírito de mansidão e humildade (Gálatas 6:1), o que é a maneira correta de fazê-lo e que encoraja o pecador a se arrepender.

Também podemos considerar um exemplo que envolve o trabalho da igreja. A Bíblia claramente ensina que é a vontade de Deus que a igreja local dê sustento financeiro aos que se dedicam à pregação do evangelho (1 Coríntios 9; Filipenses 1:5; 4:15). Nos tempos modernos, porém, algumas pessoas montaram organizações humanas (sociedades missionárias e igrejas patrocinadoras) para “ajudar” a igreja neste trabalho. Com tais arranjos o pagamento do evangelista é enviado, não diretamente ao evangelista, mas a uma outra igreja ou organização humana que age como mediadora na transação. Não há autoridade nas Escrituras para isso. Certo, é correto sustentar o evangelista, mas deve ser feito de acordo com o padrão de conduta da igreja primitiva como foi registrado no Novo Testamento. O pecado da sociedade missionária ou a igreja patrocinadora está em como funciona para fazer o que Deus mandou fazer de outra maneira. Faz a coisa certa, mas da maneira errada.

Chegando à conclusão correta, mas pelos motivos errados

Por que é errado mentir? Pergunte para praticamente qualquer descrente e poderá dizer “porque magoa as outras pessoas”. Esta é uma resposta típica que vem do pragmatismo – a idéia de que algumas coisas não devem ser feitas, não porque são moralmente erradas, mas porque têm efeitos desagradáveis ou maléficos (em efeito, é errado porque não funciona bem na sociedade). Suponho, de acordo com este tipo de pensamento, que, se alguém conseguisse achar uma maneira de tornar a mentira benéfica, então seria aceitável mentir. É errado mentir, mas o fato de ser maléfico aos outros não é o motivo que é errado. É errado porque Deus disse que é; é errado porque a língua mentirosa fala de um coração decepcionante e malicioso que é motivado pelo mal. A mentira é má, e é isso que é errado com ela. O fato de ser prejudicial aos outros apenas acrescenta, ou é um produto maior, da sua maldade.

Coisas parecidas estão sendo ditas sobre a prática comum das pessoas se juntarem (incluindo a relação sexual) antes do casamento. Todos os tipos de estudos concluíram que tais junções não dão certo; apenas desencorajam o compromisso, resultam em crianças indesejadas e lares com apenas um pai, etc. Mas por mais que estas coisas sejam más, não são o motivo que “se ajuntar” é errado. É errado porque é fornicação, e Deus condena a fornicação por viver a lascívia da carne. O fato que produz vários efeitos ruins é simplesmente uma função do problema real.

Devemos ter certeza de estarmos corretos em todos os aspectos do nosso comportamento, não só em obras.

–por David McClister


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