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Não é hora de tolice

A parábola de Jesus sobre a Figueira Estéril (Lucas 13:6-9) é a historia do proprietário de uma vinha cuja paciência finalmente se esgota pela longa infertilidade de uma figueira muito favorecida e um cultivador intercessor que roga por mais uma oportunidade antes de aplicar o machado.

Deus é visto claramente no proprietário da vinha e Cristo no cultivador, enquanto o impenitente Israel é a árvore ameaçada. A questão entre o proprietário e o cultivador não é se o julgamento deve vir sobre a figueira sempre inútil, mas quando. Ainda que haja muita misericórdia e paciência nesta parábola, os tons sombrios da retribuição iminente predominam.

Conquanto entendendo que esta história ficou originalmente como uma advertência pictórica da proximidade do divino julgamento de um povo privilegiado mas rebelde, precisamos também extrair dela os imutáveis princípios que guiam o tratamento que Deus dá aos homens, em todas as eras.

O primeiro é que seremos julgados, não pelas aparências ou pela mera atividade, mas por nossa fecundidade. E a fecundidade esperada será determinada pela extensão do investimento de Deus em nós. Foi o amor concedido à sua amada vinha (Israel) e a expectativa que ela produziu que lhe deu tanto desgosto pela sua inutilidade (Isaías 5:1-7). Em Ezequiel, o Senhor observa que, apesar de todas as bênçãos especiais com que ele tinha coberto seu povo, este tinha se voltado para fazer coisas piores do que faziam os pagãos à sua volta (5:6). Bênçãos especiais acarretam responsabilidades especiais.

Este princípio não muda no Novo Testamento. Em conexão com um apelo aos servos de Deus para sempre estarem prontos para prestar contas, Jesus disse, “Mas àquele a quem muito foi dado, muito lhe será exigido” (Lucas 12:48). Isto deverá ser especialmente significativo para os cristãos sobre os quais Deus derramou o rico tesouro de suas bênçãos em Cristo (Efésios 1:3).

O escritor de Hebreus fala disto quando pergunta duas vezes como, em vista da rápida punição aplicada aos transgressores sob a lei, pode esperar escapar da fatalidade mais severa quem ainda negligencia “tão grande salvação”, como a declarada pela própria boca do Senhor e selada com seu próprio sangue (2:2, 4; 10:28-29). Nenhum discípulo de Jesus se sentiria confortável servindo-o com despreocupação indiferente em face de seu pesado investimento em nós. Suas expectativas são justas. Aquele que permanece nele, ele disse, “produz muito fruto” (João 15:5).

Mas o que este fruto vital poderá ser? Não poucos têm sugerido que, dado o propósito de Jesus em vir a este mundo (Lucas 19:10), deve ser conduzir almas perdidas à salvação. Não pode haver dúvida de que o discípulo de Jesus precisa tentar salvar os perdidos, e por mim, penso que haja uma grande possibilidade de um verdadeiro discípulo, que produz frutos durante sua vida, conduzir ou ajudar a conduzir muitos outros a Cristo. Mas ambos, o Velho e o Novo Testamento tornam claro que não é nossa máxima responsabilidade converter os não salvos, mas mostrar-lhes o caminho. A tarefa de Ezequiel foi advertir a obstinada casa de Israel (3:17-21), pois quer ouçam, quer deixem de ouvir, Deus disse: “... eles saberão que esteve um profeta no meio deles” (2:5). De sua própria responsabilidade, Paulo disse que era plantar e regar a semente enquanto os resultados eram deixados para Deus (1 Coríntios 3:6). Infelizmente, a tragédia para muitos de nós é semente não plantada nem regada.

Então, qual é o fruto que podemos produzir sem questão, que está totalmente dentro de nosso poder pela graça de Deus atingir? É uma vida piedosa, “cheios do fruto de justiça, o qual é mediante Jesus Cristo, para a glória e louvor de Deus” (Filipenses 1:11). É um caráter rico do “fruto do Espírito” (Gálatas 5:22-23) pelo poder do qual serviremos certamente cada propósito de nosso Pai no mundo.

E como, por este mesmo princípio, o trabalho das igrejas locais será julgado? Que tipo de igreja terá sucesso? Elas não serão medidas pelo tamanho que tiverem, ou por quanto dinheiro coletam e gastam, ou como o seu programa é ativo e se desenvolve eficientemente. Não. Nem mesmo finalmente pela habilidade de pregar. Elas serão antes julgadas pela qualidade do povo que elas estão produzindo para o discipulado na vida diária. Uma igreja local é um campo de treinamento para equipar o povo de Deus para o serviço fecundo enquanto elas crescem para a maturidade em Cristo (Efésios 4:12-13). Quando igrejas fazem isto, todas as outras coisas necessárias serão conseguidas.

A parábola da Figueira Estéril é tanto confortante como ponderada. Na bondade de Deus temos outra oportunidade se tenhamos vivido vidas espirituais de robôs, infrutíferas, mas o julgamento está vindo e o machado está posto na raiz das árvores. Que nenhum homem seja presunçoso.

–por Paul Earnhart


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