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Oração obstinada 

A Parábola da Viúva Importuna (Lucas 18:1-8), é uma gêmea virtual da Parábola do Amigo Que Bate à Porta à Meia Noite, ainda que Jesus a tenha ensinado meses mais tarde (em algum momento durante o inverno antes de sua morte). Ambas as parábolas ensinam a mesma lição, “que os homens deveriam sempre orar e nunca esmorecer” (Lucas 18:1). 

A história que Jesus conta é a de uma viúva sem recursos nem advogado que busque justiça de um certo juiz contra seu “adversário”. Estaria ele tentando roubar a terra da qual ela vivia, ou defraudá-la de alguma herança magra mas vital de seu falecido esposo? O Senhor não o diz, mas o caso estava sendo entravado pela obstinada corrupção do magistrado que, desprovido tanto de consciência como de compaixão, admitia ser levado apenas pelo próprio interesse. 

Tais juízes devem ter sido comuns no Israel antigo porque os profetas estão cheios de denúncias de suas injustiças. “Os teus príncipes são rebeldes e companheiros de ladrões; cada dia um deles ama o suborno e corre atrás de recompensas. Não defendem o direito do órfão e não chega perante eles a causa das viúvas” (Isaías 1:23; veja também Jeremias 5:28; Ezequiel 22:7; Malaquias 3:5). O Talmud acusa alguns juízes de aldeias de ignorância, arbitrariedade e cobiça tão grandes que perverteriam a justiça por um prato de comida. 

Foi justamente a um tal juiz, não somente firme, mas também profundamente pesarosa, que esta viúva indefesa vinha em seu desespero (o verbo grego indica uma vinda contínua). Havia somente três modos de mover um juiz como este: suborno, intimidação ou súplica. Sem dinheiro nem poder, ela foi deixada a implorar com a persistência do desespero (Buttrick). Era uma situação absolutamente esmagada pela desesperança. 

Contudo nesta mulher obstinada o insensível magistrado encontrou adversário à sua altura. Ele podia ter sido assaltado por persistência obstinada antes, mas nenhuma que igualasse aos apelos infindáveis e insistentes desta mulher. Ela o encontrava sempre que ele se voltava e o atingia no único lugar onde ele poderia ser atingido, sua preocupação egoísta com seu próprio conforto. Ele lhe fez justiça, não porque fosse justo ou mesmo compassivo, mas porque percebeu que não conheceria um momento de paz até que o fizesse. 

Assim, tanto o homem com um hóspede inesperado como a viúva lutando por seus direitos ilustram o poder de uma persistência sem pudor mesmo contra um vizinho negligente e um juiz injusto. Mas como aplicaremos estas parábolas aos filhos de Deus orando ao seu Pai? 

A atitude do vizinho ou do juiz certamente não representa a atitude de Deus para com seus filhos, ainda que possa às vezes parecer ao cristão angustiado e lutador que o Senhor não esteja prestando atenção. O que estas parábolas argumentam é que se apelos persistentes podem mover os despreocupados, muito mais o coração benigno de Deus. A. B. Bruce vê estas duas parábolas como esforço de Jesus para reconciliar as enigmáticas provações da vida com a verdade da amorosa providência de Deus para seu povo. 

Precisamos também lutar com o fato que em ambas as parábolas se diz que a persistência na oração traz a resposta desejada. Imediatamente depois de ele contar a parábola do Amigo Que Bate à Porta à Meia Noite Jesus diz simplesmente: “Pois todo o que pede, recebe; o que busca, encontra; e a quem bate, abri-se-lhe-á” (Lucas 11:10). Não é questão de obter de Deus, com nossas contínuas súplicas, tudo o que possamos desejar (2 Coríntios 12:8-9). O Senhor não dará a seus filhos uma pedra em vez de pão, não importa quão inabalavelmente lhe supliquem. E não há fórmulas engenhosas que o coloquem em nosso poder. Jesus já nos advertiu quanto às “vãs repetições” dos gentios, os quais pensam que “pelo seu muito falar, serão ouvidos” (Mateus 6:7). Mas qualquer que seja o motivo dessas petições, o Senhor claramente nos assegurará que o desejo inquebrantável, se for expresso em súplicas constantes, receberá de Deus a atenção desejada. 

Talvez a chave que abra tudo isto seja a afirmação conclusiva de Jesus em sua conversa com os discípulos sobre a oração: “Ora, se vós, que sois maus, sabeis dar boas dádivas aos vossos filhos, quanto mais o Pai celestial dará o Espírito Santo àqueles que Lho pedirem?” (Lucas 11:13). As “boas dádivas” de Deus não incluem tudo o que possamos pedir, ainda que freqüentemente, mas somente o que serve para nossa salvação no reino de Deus (a obra do Espírito Santo). Qualquer coisa que não sirva ao eterno propósito de Deus para nós será retirada. Esta é, então, nossa certeza: todos os que buscam salvação em Cristo vão encontrá-la; todos os que pedirem o “verdadeiro pão” vão recebê-lo; todos os que baterem pedindo entrada no reino do Céu encontrarão a porta aberta. Mas estas parábolas também ressaltam que a busca não pode ser ocasional, o pedido desanimado, o bater indiferente. Deus não pode dar-se àqueles que não o procuram sinceramente e com todo o coração (Mateus 6:33). A oração obstinada provém de uma fé obstinada.

–por Paul Earnhart


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