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Com Jesus na escola de oração

 As histórias de Jesus sobre o Amigo que Bate à Meia Noite (Lucas 11:1-13) e a Viúva Importuna (Lucas 18:1-8) são tão notavelmente semelhantes em propósito que podem ser consideradas parábolas gêmeas. A cronologia de Lucas indica que não foram contadas juntas, mas ambas são partes de um longo segmento deste Evangelho que é colocado contra o pano de fundo de uma jornada a Jerusalém (9:51 - 19:27). O assunto de Jesus nestas duas parábolas é a oração e nelas há muito que precisamos aprender.

Parábola do amigo que bate à porta à meia noite (Lucas 11:1-13) 

A parábola do Amigo que Bate à Porta à meia noite foi ocasionada pelo pedido de um dos discípulos de Jesus que, instigado pelas sinceras súplicas de seu Mestre, rogou-lhe que lhes ensinasse a orar.

Aquele grupo seleto de discípulos de Jesus que viviam diariamente com Ele e o ouviam ensinar tão freqüentemente estavam sem dúvida admirados, assim como outros, pela sabedoria e graça com que Ele falava (Mateus 7:28-29; João 7:45-46). Mas até onde sabemos, nenhum deles jamais pediu a Jesus que os ensinasse como pregar, ainda que pregar fosse sua missão. Eles devem ter percebido que o segredo da vida de Jesus residia não tanto em sua habilidade de pregar como em sua relação com seu Pai. Eles tinham visto algo especial observando-o a orar, e talvez quisessem partilhar da intimidade, a absoluta confiança em Deus que tinham observado nele. Eles reconheciam, também, que se não aprendessem a orar isso não seria só uma desvantagem, mas um desastre. Se Jesus, que era Deus na carne, precisava orar freqüentemente, e às vezes extensamente, para fazer a vontade de seu Pai (Lucas registra oito ocasiões), quanto mais os meros seres humanos que o seguem. Qualquer cristão que não é sábio nem diligente na oração está no caminho da falência espiritual.

Jesus responde ao pedido dos discípulos repetindo o modelo de oração que Ele tinha ensinado no Sermão da Montanha (Lucas 11:2-4; Mateus 6:9-13). O Senhor não estava dizendo com isto que o segredo de Sua vida cheia de oração era a correta repetição de algum ritual. A oração modelo antes ressalta as prioridades da vida espiritual, que a verdadeira vida de oração se apóia na relação (“Pai nosso...”) e um extenso cuidado para que, acima de todas as coisas, Deus seja glorificado e sua vontade seja feita. Todo o resto de nossas petições e nossa vida tem que servir a esse supremo fim.

A oração é a última e suprema busca pela vontade de Deus. Warren Wiersbe cita Robert Law como dizendo que “A oração é um instrumento poderoso, não para conseguir que a vontade do homem seja feita no céu, mas para conseguir que a vontade de Deus seja feita na terra”.

Ao modelo de oração Jesus acrescenta a parábola do Amigo que Bate à Porta à Meia Noite. Para se entender esta história é necessário saber que a hospitalidade era uma obrigação social significativa no Oriente Médio, e que a casa comum daqueles tempos tinha uma sala grande, dois terços da frente com piso de terra batida forrada de palha onde os animais eram freqüentemente abrigados à noite, e no fundo uma pequena plataforma elevada onde a família comia e dormia.

Jesus sugere que não havia nenhum dos seus ouvintes que, em face de hóspedes inesperados à meia noite, não poderiam, por simples obstinação, deixar de arranjar algum alimento necessário com um vizinho já adormecido. Deveria ser uma experiência familiar na Palestina do primeiro século. Você pode imaginar a cena. Um amigo aparece a sua porta no meio da noite e o pão assado para o dia anterior já foi comido. O que fazer? Você vai à casa do seu amigo onde a porta, aberta de par em par durante o dia, já foi fechada e trancada e sua família está profundamente adormecida. Você bate até que seu amigo é despertado de um sono profundo e lhe pede a bondade de emprestar algum pão. Ele responde com mal-humorada surpresa: “O que fazes batendo em minha porta nesta hora da noite, e pedindo pão, que coisa! Vai embora, deixa-me em paz, antes que tu acordes toda a casa.” Você bate de novo. As crianças, que levaram tanto tempo para se acomodarem, estão agora acordadas e fazendo perguntas: “Já é de manhã? Podemos levantar?” Você continua batendo. Agora até os vizinhos estão se levantando para ver o motivo da balbúrdia. Desesperado, seu amigo finalmente se levanta e abre abruptamente a porta para lhe dizer que pegue todo o pão que quiser mas, por favor, deixe-o dormir um pouco, assim como a sua família. Todos sabem, Jesus conclui sua história, que mesmo quando a amizade não significa nada “a persistência” compensa (versículo 8). A palavra grega traduzida como persistência realmente significa desfaçatez.

Com esta ilustração cheia de humor do dia-a-dia do mundo (teria Jesus piscado um olho quando a contou?), Jesus prepara a cena para ensinar-nos algumas lições vitais sobre a oração (veja o próximo artigo – Oração Obstinado).

–por Paul Earnhart


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