Aonde chegamos!

Foi um dia de profunda tristeza, o primeiro dia de desastre na história do mundo. Eva cedeu à palavra da serpente, e Adão seguiu o erro dela. A inocência foi perdida, o pecado consumado, o casal expulso. Não andariam mais no paraíso terrestre. Não teriam mais acesso à árvore da vida. Pior ainda, não estariam próximos de Deus. 

Começou o reinado da morte. Gênesis 5 chama a nossa atenção pelas vidas longas na genealogia registrada, mas o ponto principal do capítulo é outro. O fato marcante não é que homens viveram séculos, alguns passando de 900 anos. O ponto repetido oito vezes no capítulo, com um certo ritmo melancólico, é que morreram. Geração após geração chega ao mesmo fim – “... e morreu”. 

Mas, no meio de tanto fracasso e tristeza, aparecem raios de esperança. No dia que o pecado contaminou o mundo, Deus falou da solução que viria – um descendente da mulher que esmagaria a serpente (Gênesis 3:15). No meio a tantos relatos de morte, Enoque andou com Deus e foi poupado desse fim (Gênesis 5:24). Como a luz bruxuleante de um farol distante, esses versículos ofereciam esperança de uma saída do desespero criado pelo pecado do homem. 

Mas o navio estava longe do porto e, às vezes, a neblina de confusão envolvia os homens pecadores de tal maneira que a esperança foi praticamente perdida. Mesmo nos momentos em que os homens tiveram oportunidades de aproximar de Deus, não suportaram a luz brilhante da presença divina. Nem queriam ficar perto da montanha de Deus (Êxodo 20:18-21). Moisés subiu como representante do povo, um mediador entre Israel e Deus, mas ele tinha suas próprias falhas. 

Deus revelou, por meio de Moisés, um sistema de sacerdotes e sacrifícios. Mas homens imperfeitos oferecendo o sangue de animais não conseguiram resolver o problema. A luz do farol ficou mais visível, talvez, mas os próprios sacerdotes eram sujeitos ao pecado e à morte (Hebreus 7:23,27), e “o sangue de touros e de bodes” não removeu a mancha do pecado (Hebreus 10:4). 

O esquema do tabernáculo e do acampamento do povo de Israel no deserto ilustram o problema do homem. Um mapa simples mostra como foi difícil – até impossível – chegar a Deus. Um homem de Judá, por exemplo, teria que passar pelos levitas e, especificamente, pelos sacerdotes, para chegar ao tabernáculo. Os sacerdotes agiriam como representante dele, levando o incenso de suas orações (Salmo 141:2) até o altar de incenso no Santo Lugar. O aroma do incenso passaria pelo véu do tabernáculo para chegar ao Santo dos Santos, o lugar que representava a presença de Deus. Apenas uma vez por ano, o Sumo Sacerdote entraria no Santo dos Santos para levar o sangue de um sacrifício pelo povo. A própria organização do acampamento, junto com o sistema de serviço por intermediários, relembrou as pessoas de como era difícil chegar a Deus. 

Os séculos passaram, e a situação continuou difícil. O próprio povo escolhido se distanciou mais ainda de Deus, erigindo uma barreira de iniqüidade entre Deus e os homens (Isaías 59:1-2). O homem era incapaz de escalar o muro alto que o separou de Deus. Durante muitos anos, homens pecadores sentiam o mesmo desespero que Paulo expressou quando clamou: “Desventurado homem que sou! Quem me livrará do corpo desta morte?” (Romanos 7:24). 

A resposta à pergunta de Paulo é a resposta à necessidade do homem: “Graças a Deus por Jesus Cristo...” (Romanos 7:25). Foi Jesus que fez seu tabernáculo entre os homens, agindo como a escada de acesso ao céu (João 1:14,51). Ele é o intermediário – o único Mediador – entre Deus e os homens (1 Timóteo 2:5). Ele se tornou sacerdote eterno e sacrifício eficaz (Hebreus 9:12-14,28). Tirou as barreiras e nos deu acesso a Deus! 

Aonde chegamos? Não chegamos ao monte Sinai, nem ao sistema da lei revelada a Moisés naquela montanha (Hebreus 12:18-21). Jesus nos traz a outro lugar, muito superior. Medite bem nas bênçãos resumidas em Hebreus 12:22-24: “Mas tendes chegado ao monte Sião e à cidade do Deus vivo, a Jerusalém celestial, e a incontáveis hostes de anjos, e à universal assembléia e igreja dos primogênitos arrolados nos céus, e a Deus, o Juiz de todos, e aos espíritos dos justos aperfeiçoados, e a Jesus, o Mediador da nova aliança, e ao sangue da aspersão que fala coisas superiores ao que fala o próprio Abel.” Com os nossos pecados perdoados pelo sacrifício de Jesus, podemos chegar a Deus!

- Dennis Allan


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