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Uma história incrível (2)    (1)

Como dissemos, a Parábola do Servo Impiedoso (Mateus 18:21-35) é uma história incrível. O enorme débito que o servo real ajuntou é assombroso, o tipo de apelo que ele faz por dispensa excede a credulidade, e a resposta do rei – ele perdoa tudo a este rematado patife – é assombrosa. E contudo as surpresas não terminam ali. Ainda há mais uma volta final que coroa o climax. 

A segunda cena da história abre-se com o servo maravilhosamente perdoado deixando a presença do rei. Ele foi libertado de um destino pior do que a morte. Contudo, com a tinta ainda úmida em seu próprio perdão por milhões, este insensato ingrato avista um “colega de servidão”, que lhe deve um valor pequeno, e quase esgana o pobre companheiro enquanto rudemente exige pagamento total e imediato! Isto é verdadeiramente incrível, que um homem assim perdoado pudesse ser tão incapaz de perdoar. Não parece sequer tocá-lo que seu devedor apele por misericórdia da mesma posição e com as mesmas palavras que ele próprio tão recentemente usou. É também irônico que enquanto seu próprio apelo por tempo para pagar foi ridículo, havia uma possibilidade real deste homem poder pagar seu débito.

Somos levados a admirarmos o que estava se passando na mente do servo perdoado. Estaria ele se congratulando por ter sido tão esperto que escapou do desastre certo? Pensou ele que o rei era tolo por cair na sua conversa e prometeu jamais cair em tal tolice sentimental? Ou é concebível que ele fosse tão estúpido que não visse como sua própria situação era paralela à de seu companheiro? Jesus não o diz. 

A cena muda pela última vez. Alguns dos servos do rei que testemunharam o processo todo estão tão consternados por isso que o relatam ao seu senhor. O rei, agora profundamente enraivecido, depois de ser graciosamente magnânimo, chama de novo o servo ofensor. Agora ele o declara ser “perverso,” não pelo seu malfeito original, mas porque, tendo recebido tal incrível misericórdia, ele não tinha nenhuma para dar. Ele imediatamente voltou-se para os homens para que vissem penosamente que ele pague tudo até o último centavo! O servo impiedoso tinha decidido que queria fazer justiça antes que misericórdia e seu senhor o satisfez abundantemente. Jesus torna o ponto de sua história bastante claro. “Assim também meu Pai celeste vos fará, se do íntimo não perdoardes cada um a seu irmão” (Mateus 18:35). E esta não é uma lição obscura. Jesus freqüentemente fala dela no Sermão do Monte: “Bemaventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia” (Mateus 5:7). “Perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós temos perdoado aos nossos devedores” (Mateus 6:12). “Não julgueis, para que não sejais julgados. Pois, com o critério com que julgardes, sereis julgados; e, com a medida com que tiverdes medido, vos medirão também.” (Mateus 7:1-2). E, mais perto do tempo de nossa parábola, o Senhor adverte os seus discípulos, “Acautelai-vos. Se teu irmão pecar contra ti, repreende-o; se ele se arrepender, perdoa-lhe. Se, por sete vezes no dia, pecar contra ti e, sete vezes, vier ter contigo, dizendo: Estou arrependido, perdoa-lhe” (Lucas 17:3-4). 

A enormidade dos nossos pecados contra Deus é devidamente ilustrada pela impossivelmente grande dívida do servo ao rei. E a pequena dívida para com o servo pelo seu colega fala bem como, em comparação, são pequenas as injúrias que outros possam infligir-nos. O Macbeth de Shakespeare, falando de sua própria profunda culpa, diz que todo o oceano não seria suficiente para lavar o sangue de suas mãos, que de fato tingiriam todo o mar de vermelho. Torna-se inconcebível que aqueles perdoados de tanto possam recusar-se a perdoar tão pouco. E, contudo, quantos cristãos se levantam da Ceia do Senhor para continuar vivendo com impiedosa dureza na vida diária?  

O problema é que tantos de nós queremos viver com Deus, sob a graça, mas com os homens, sob a lei. Com nosso Pai queremos misericórdia mas com outros queremos justiça. Não podemos ter isso de duas maneiras, e quando tentamos somos perfeitamente “impiedosos”. É bastante mau para nós ter pecado contra a lei justa de Deus, mas quanto mais aflitivo tem que ser para nós tratar sua graciosa misericórdia com desprezo? “De quanto mais severo castigo julgais vós será considerado digno aquele que calcou aos pés o Filho de Deus, e profanou o sangue da aliança com o qual foi santificado, e ultrajou o Espírito da graça?(Hebreus 10:29). E quando nós, depois de receber tal misericórdia, recusamos mostrá-la aos outros, temos feito nada menos do que isso. “Horrível coisa é cair nas mãos do Deus vivo” (Hebreus 10:31).

por Paul Earnhart


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