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Uma história incrível (1)   (2)

As parábolas de Jesus apareceram no final de sua pregação pública. Suas parábolas iniciais, a grande série sobre o reino, foram ensinadas junto ao Mar da Galiléia, próximo do fim de seu segundo ano de ensino. O resto veio no último ano de sua vida, quando ele estava muito pressionado pela necessidade de preparar os doze para os eventos e deveres que haveriam de recair logo sobre eles. Isto é especialmente aparente na Parábola do Servo Impiedoso (Mateus 18:21-35). Ela parece ser parte integrante de uma conversa contínua que começou em Cafarnaum (compare Marcos 9:33-37 com Mateus 18:15).

Esta poderosa história, tão incrível em alguns dos seus particulares, é um clímax conveniente para uma discussão começada com outro argumento carnal dos discípulos sobre quem seria o maior no reino. Jesus tentou advertir novamente os discípulos sobre seu sofrimento e morte iminentes (Mateus 17:22-23), mas a contínua fascinação deles com a “grandeza” revelou que não tinham entendido nada e estavam ainda nas garras de um orgulho interesseiro. Deste câncer espiritual vem uma indiferença e uma aspereza para com os “inferiores” de uma pessoa, que são compostas por uma disposição de jamais admitir plenamente os próprios erros.

Jesus não lida gentilmente com os doze. Passando inteiramente sobre eles, escolhe ao acaso uma criancinha cuja humilde simplicidade, ele diz, exemplifica a grandeza que eles precisam encontrar se quiserem ser aptos para o reino do céu. Ele então emite uma advertência muito dura. Qualquer um, cujas vãs ambições possam fazer um dos seus discípulos tropeçar, seria melhor que estivesse morto. Em seguida, ele fala assustadoramente do “fogo eterno” (Mateus 18:6-8). A isto é acrescentada instrução sobre a necessidade de tratar aqueles que pecam contra nós de modo a redimi-los, sendo rápidos na busca de reconciliação através do arrependimento e do perdão (Mateus 18:15-17). A ênfase da palavra de Jesus foi: sede misericordiosos, sem ressentimento, facilmente tratáveis, suplicantes, dispostos a perdoar. 

A resposta de Pedro a tudo isto mostra que ele tinha ouvido o que Jesus disse, mas nada tinha entendido. Sua resposta é estatística, não espiritual: “Senhor, quantas vezes meu irmão pecará contra mim e eu o perdoarei? Até sete vezes?” Há pouca dúvida de que Pedro sentiu que sua proposta era notavelmente generosa. A tradição rabínica dizia sete vezes (erroneamente baseada em Jó 33:29-30 e Amós 1:3 - 2:6), mas jamais faziam isso. O Talmud conta a história de um rabi que não queria perdoar uma muito pequena desconsideração à sua dignidade, ainda que solicitado pelo ofensor 13 anos sucessivamente, e isso no Dia do Perdão!

A resposta de Jesus a Pedro remove toda a questão sobre quantas vezes. “Setenta vezes sete” simplesmente significa uma infinidade. Misericórdia é uma qualidade, não uma quantidade. A abordagem de Pedro sugere que perdão é uma privação temporária de um direito que poderia a certo ponto ser reivindicado. Jesus quer que ele entenda que tal direito não existe e lhe conta a história de um servo implacável para dramatizar seu ponto. 

A história, que contem três cenas, é cheia de algumas coisas incríveis. Primeiro há a soma incrível que o servo do rei perdeu, ou por roubo ou por má administração – 10.000 talentos! Esta era uma soma 50 vezes maior do que as taxas anuais que Herodes Antipas recolhia da Galiléia e da Peréia (200 talentos) e mais do que dez vezes a renda anual de toda a Palestina (Josefo, Antiguidades, XVIII, XI, 4). Como poderia, mesmo sendo um servo real, pôr suas mãos nela, muito menos manobrar para roubar ou perder uma soma como essa?!

Mas esse é o único pormenor notável nesta história. Ele não veio ao rei; ele “foi trazido”. Isto não é surpreendente, mas o tipo de apelo que ele faz é. Este servo que perdeu o equivalente ao resgate de um rei, e não é remotamente possível que lhe seja confiado novamente um centavo sequer, implora mais tempo de modo que possa restituir tudo! Em pouco tempo ele cuidará de tudo. Isso é tão possível como temperatura de 20 graus abaixo de zero no Havaí. Que sugestão ridiculamente impossível. E contudo ele a fez. Tinha que ser desespero ou simples bravata.

Contudo, isso não é tão surpreendente como a resposta do rei. O rei perdoou-o! Um tratamento muito improvável por parte de um governante oriental. Até mesmo reis sofreriam com uma perda como esta, e sofreriam notadamente. E ainda que não houvesse nem a mínima esperança de que recuperasse o dinheiro, o homem fez de si um tolo de modo que nenhuma outra pessoa fosse tentada a repeti-lo. Um exemplo seria necessário para impedir isso, e muito severo. Contudo, inexplicavelmente, o rei perdoou tudo a este patife. Que graça extraordinária!

por Paul Earnhart


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