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Enfrentando nossas dúvidas
Injustiça, tristeza e calamidade estão ao nosso redor, freqüentemente atingindo
as nossas próprias vidas. Pessoas boas e até crianças inocentes sofrem de doenças graves. Acidentes e assaltos tiram vidas de jovens, apagando os
planos de suas vidas promissoras. Traições por parte de outros causam danos enormes nas vidas de suas vítimas. Perseguições dificultam e até ameaçam a
vida de servos de Deus. Sem dúvida alguma, o mundo está cheio de injustiça.
Devido à dor da vida terrestre, muitas pessoas duvidam da bondade de Deus e até
negam a sua existência. Freqüentemente ouvimos o triste comentário: “Eu não
consigo acreditar num Deus que permitiria acontecer tal coisa”. Estas dúvidas, até
crises de fé, são comuns, desafiando até os mais dedicados servos de Deus.
Um bom exemplo, e um que nos guia em como lidar com as nossas próprias dúvidas, se encontra no Salmo 73. Por favor, pegue a sua Bíblia e leia este Salmo
e continue consultando-o durante a leitura deste artigo. Antes de examinar a mensagem, observe a estrutura do Salmo. Duas expressões marcam transições
importantes nos pensamentos de Asafe, o salmista. As palavras “Com efeito”
iniciam os versículos 1 e 13. A expressão “Quanto a mim” aparece no 2 e 28.
“Com efeito, Deus é bom para com Israel, para com os de coração
limpo” (1). Asafe começa com a sua crença fundamental sobre a bondade de Deus para com os justos. É isso que ele acreditava, e que
queria afirmar neste Salmo. Deus cuida dos justos e os trata bem.
“Quanto a mim, porém, quase me resvalaram os pés, pouco faltou para que se desviassem os meus passos” (2). Asafe queria
acreditar na bondade de Deus, mas não foi fácil. Ele explica, dos
versículos 2 a 12, os motivos de sua crise espiritual. Viu os perversos prosperando enquanto pessoas justas, como ele, sofriam todo tipo de opressão.
O que adianta ser fiel a Deus se os ímpios são abençoados e os justos, amaldiçoados? Asafe quase desistiu.
“Com efeito, inutilmente conservei puro o coração e lavei as mãos na inocência”
(13). A conclusão de sua própria experiência contrariou totalmente a sua tese original. Todo o esforço dele foi
desperdiçado. Apesar de toda a sua dedicação ao Senhor, ele sofria constantemente (14). Nestes versículos, Asafe chega ao fundo do poço. Não há
motivo para servir a Deus. Mas, espere aí! No versículo 2 ele usou as palavras
“quase” e “pouco faltou”. O que segurou Asafe para que não caísse totalmente
da fé? A resposta vem nos versículos críticos deste Salmo: “Se eu pensara em falar tais palavras, já aí teria traído a geração de
teus filhos. Em só refletir para compreender isso, achei mui pesada tarefa para mim; até que entrei no santuário de Deus e atinei com o fim
deles” (15-17).
Observamos três fatos importantes nestes versículos:
1. Asafe teve o bom senso de não expor as suas dúvidas aos mais fracos (15). A fé de incontáveis recém-convertidos tem sido ameaçada ou derrubada
por palavra irrefletidas de “irmãos mais maduros”. Paulo disse: “Acolhei ao que
é débil na fé, não, porém, para discutir opiniões” (Romanos 14:1).
Devemos falar “unicamente a que for boa para edificação” (Efésios 4:29).
2. Ele foi humilde e reconheceu as suas próprias limitações (16). Ele tentou compreender os motivos das injustiças no mundo, mas percebeu que ele
não tinha a capacidade de entender tudo. Os amigos de Jó teriam feito bem se tivessem a mesma humildade quando procuraram explicar o sofrimento daquele
homem justo. Nós devemos abordar qualquer assunto que envolve as obras de
Deus com esta atitude. Jamais compreenderemos todas as suas obras (Eclesiastes 8:17), e ele não tem obrigação nem motivo para nos revelar tudo
(Deuteronômio 29:29). Devemos aceitar as nossas limitações.
3. Ele resolveu o seu problema de fé quando buscou ao Senhor (17). O problema não foi resolvido pela ciência, pela lógica, nem pela filosofia humana.
Asafe nem diz que ele chegou a compreender o porquê de tudo que o incomodava. A ênfase não está no que ele conheceu, mas em quem ele
conheceu! Ele jamais resolveria suas dúvidas alimentando a amargura ou deixando se levar pelas suas emoções:
“Quando o coração se me amargou e as entranhas se me comoveram, eu estava embrutecido e ignorante;
era como um irracional à tua presença” (21-22). Não temos condições de
discutir com Deus, pois os pensamentos dele são muito superiores aos nossos (Isaías 55:9). Mesmo sendo incapazes de compreender toda a sabedoria de
Deus, podemos aprender a confiar nele: “Quem mais tenho eu no céu? Não
há outro...” (25; veja João 6:68).
Asafe aprendeu, pelo menos, a diferença entre a perspectiva humana e a divina.
Quando ele olhou para as coisas da própria experiência de vida, ele quase perdeu
a sua fé. Mas quando ele pensou na perspectiva eterna de Deus, ele viu que, no fim, a justiça prevaleceria e os ímpios seriam devidamente castigados (17-20,27).
“Quanto a mim, bom é estar junto a Deus; no SENHOR Deus ponho o meu refúgio, para proclamar todos os seus feitos” (28).
Asafe enfrentou as suas dúvidas, achou as respostas necessárias em Deus, e restabeleceu a sua fé. De fato, é bom estar com Deus, porque ele
“é bom para como...os de coração limpo” (1).
-Dennis Allan
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