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A parábola da rede: pura finalmente!

Enquanto a parábola do joio pode ser suspeita de falar da questão da disciplina na igreja (contudo estamos fortemente persuadidos de que não fala), nenhuma tal possibilidade existe com a parábola da rede. Ela fala somente da remoção final do reino de todos os que não são verdadeiros discípulos. O reino de Deus não será sempre um lugar onde o motivo impuro, a tenebrosa concupiscência e a frieza espiritual podem disfarçar-se no meio dos justos, mas finalmente será limpo de tudo o que é pecaminoso. Os peixes jogados fora da parábola são os “ímpios”, e aqueles que os removem são “anjos”, e o tempo é o “fim do mundo”. O propósito de limpar a rede não redime. A rejeição é final. O julgamento é divino.

A imagem ideal do reino celestial é vista nas parábolas do tesouro escondido e da pérola de alto valor. Nestas parábolas, todos os que se tornam parte do reino o fazem ao nível de absoluta devoção. Todas as coisas são entregues ao domínio de Cristo. Mas a realidade é que muitos que se ligam ao reino não estão totalmente comprometidos ou não estão nada comprometidos. A parábola do semeador torna isto evidente. Entre aqueles que recebem o evangelho, alguns serão o solo raso e outros serão frios (o solo pedregoso e o terreno espinhento). Há várias ilustrações desta verdade no Novo Testamento — a igreja de Corinto com sua imoralidade e desunião carnal, as igrejas da Galácia com seus judaizantes, mestres de justiça pela lei, as igrejas a quem João escreveu suas epístolas, com seus profetas gnósticos de um evangelho novo e incrementado e cinco das sete igrejas da Ásia infestadas por várias maneiras de idolatria, imoralidade, falso ensinamento, insensibilidade e presunçosa complacência. Quanto ao presente, não é preciso muita observação nas igrejas do Senhor, no século vinte, para se saber que as coisas não mudaram. Ainda estamos perturbados, não simplesmente com a fraqueza momentânea ou com a ignorância daqueles que estão fazendo sua jornada para a maturidade espiritual, mas com arraigada mundanalidade e orgulho e uma consciente determinação de corromper a doutrina de Cristo.

Pode ser justamente objetado que, no Novo Testamento, tais aberrações espirituais nas igrejas ou nos santos individuais não foram aceitas com resignação. Paulo instou com a igreja de Corinto para que pusesse sua casa em ordem. (1 Coríntios 1:10), a não ter convivência com aqueles cristãos que estavam determinados a praticar modos pecaminosos (1 Coríntios 5:11-13). De fato, ele diz, usando a própria palavra grega escolhida por Mateus para registrar a parábola da rede (“o impuro”, ponerous), “afastai de vós a má pessoa [poneron].” Os mestres judaizantes perturbando as igrejas da Galácia eram anatematizados por Paulo como pervertedores do evangelho (Gálatas 1:6-9) e João exortou os leitores de suas epístolas a não dar santuário aos falsos profetas (1 João 4:1-3; 2 João 9-11). O próprio Senhor advertiu as cinco igrejas da Ásia moralmente e espiritualmente perturbadas a se arrependerem (Apocalipse 2, 3). Outras passagens indicam que as igrejas e os santos individuais não deviam suportar cristãos corruptos e infiéis entre eles (Romanos 16:17; 1 Timóteo 1:3-4; 6:3-5; Tito 1:9-13; 3:9-11).

A partir disto julgamos que o Senhor pretende que seu povo mantenha, da melhor maneira que puder, a si mesmo e às igrejas das quais fazem parte, livres de corrupção e impurezas. De outro modo, como poderemos ser “o sal da terra” e “a luz do mundo”, trazendo glória ao nosso Pai através de nossas vidas corretas? (Mateus 5:13-16). E como podemos ser vistos como “luzeiros no mundo, preservando a palavra da vida”? (Filipenses 2:15-16).

E ainda que muito desejemos manter as igrejas dos santos livres de qualquer um que não seja comprometidos com Cristo, é uma meta que as limitações humanas não permitirão atingir plenamente. Conforme Paulo observou a Timóteo, “Os pecados de alguns homens são notórios e levam a juízo, ao passo que os de outros só mais tarde se manisfestam” (1 Timóteo 5:24). As mesmas limitações que tornam impossível para nós levarmos julgamento final contra outros, tornam igualmente impossível para livrarmos a igreja absolutamente de todos os seus simuladores. Podemos e devemos agir em relação às atitudes e à conduta pecaminosas e abertas, mas, diferentes de Deus, não somos oniscientes. Os homens podem esconder sua vergonha de nossos olhos. Portanto, a limpeza final da igreja é deixada para Aquele que sabe todas as coisas. Por falar em julgamento final, Paulo adverte que “... nada julgueis antes do tempo, até que venha o Senhor, o qual não somente trará à plena luz as coisas ocultas das trevas, mas também manifestará os desígnios dos corações; e, então, cada um receberá o seu louvor da parte de Deus” (1 Coríntios 4:5). A pureza perfeita do reino é para Deus cumprir, não para nós.

por Paul Earnhart


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