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Parte 2: O Velho Testamento demonstra como Deus tem preservado sua palavra
por David Pratte

Deus não somente prometeu preservar as Escrituras para as gerações futuras. Ele também deu uma demonstração convincente para provar que ele tem mantido e manterá sua promessa. Esta demonstração é o Velho Testamento.

1. Observe os paralelos na base dos dois Testamentos.

Ambos os testamentos foram dados por inspiração de Deus.

Para ambos os testamentos, já citamos Escrituras mostrando que o Espírito Santo deu a homens inspirados as próprias palavras que eles deveriam escrever.

Ambos os testamentos foram coligidos, copiados, circulados, estudados e traduzidos através dos anos.

Alguns críticos têm questionado a exatidão do Novo Testamento, porque foi escrito por diferentes homens em lugares diferentes. Os escritos foram coligidos gradualmente e qualificados como sendo canônicos, então foram traduzidos para outras línguas. Alguns dizem que não podemos ser confiantes de que tudo isto tenha sido feito com exatidão, uma vez que homens não inspirados foram envolvidos.

Mas o mesmo pode ser dito do Velho Testamento como do Novo. Ambos os Testamentos foram escritos gradualmente, coligidos, copiados e listas de livros canônicos foram desenvolvidas. Ambos foram traduzidos para que pessoas de outras línguas pudessem conhecê-los. Por exemplo, a Septuaginta é uma tradução do Velho Testamento, do hebraico para o grego, o que foi feito vários séculos antes do tempo de Jesus.

Se for aceito que o Velho Testamento foi preservado cuidadosamente através destes métodos usados, quem pode duvidar de que o Novo Testamento tenha sido preservado cuidadosamente, se os mesmos métodos foram usados para isso?

Ambos os testamentos tinham a intenção de servir como um padrão de autoridade até para as futuras gerações.

Citamos as Escrituras mostrando que Deus pretendia que o povo mantivesse os escritos inspirados, estudasse-os, obedecesse-os, e os passasse às gerações futuras. O próprio motivo pelo qual as pessoas copiassem, circulassem e traduzissem as Escrituras era para que elas pudessem estar disponíveis para as pessoas que necessitassem delas. 

Ambos os testamentos passaram através de gerações nas quais novas revelações foram acrescidas, e gerações em que as pessoas negligenciaram as Escrituras.

Algumas pessoas dizem que não podemos estar certos de que hoje temos Novos Testamentos exatos, porque faz muito tempo desde quando havia homens inspirados vivos para confirmá-los. Outros afirmam que partes do Novo Testamento podem ter sido pervertidas ou perdidas durante as gerações quando as pessoas geralmente negligenciaram a Bíblia ou foram culpadas de espalhada apostasia.

Mas o Velho Testamento também passou através de muitas gerações quando o povo geralmente negligenciou a Bíblia ou foi culpado de apostasia generalizada. Muitas gerações se passaram nas quais nenhum profeta viveu e nenhuma Escritura foi escrita. Especificamente, passaram-se mais de 400 anos desde o tempo em que o Velho Testamento foi escrito, até o nascimento de Jesus.

Se pode ser mostrado que o Velho Testamento foi cuidadosamente preservado a despeito destes problemas, quem pode duvidar de que o mesmo não será verdadeiro para o Novo Testamento?

Ambos os testamentos contêm promessas de que Deus os preservaria.

Já citamos passagens onde Deus prometeu, tanto para as Escrituras do Velho Testamento como para as do Novo Testamento, que ele as preservaria para sempre. O que ele prometeu para um testamento, também prometeu para o outro. Neste sentido, o Novo Testamento é tão “Escritura” plena como o é o Velho Testamento.

Agora, se podemos demonstrar claramente que Deus de fato manteve sua promessa e cuidadosamente preservou o Velho Testamento por múltiplos séculos, certamente temos que concluir que ele tem cumprido, e do mesmo modo cumprirá sua promessa de preservar toda a Bíblia, incluindo o Novo Testamento. Assim, consideremos a evidência da preservação, por Deus, do Velho Testamento.

2.
 A história do Velho Testamento antes do nascimento de Jesus.

Os escritos do Velho Testamento começaram cerca de 1400 a. C. (todas as datas nesta parte são aproximadas). Podemos traçar a história destas Escrituras através de todo o resto do período do Velho Testamento até o tempo de Cristo e seus apóstolos. Podemos ver se elas foram cuidadosamente preservadas ou não, e esperava-se que as pessoas continuassem a usá-las como autoridade inspirada.

Josué 1:7-8 — 40 anos depois que Moisés escreveu, Deus ordenou a Josué que meditasse dia e noite nas palavras de Moisés, e que as observasse e obedecesse sem variação. Os escritos tinham sido preservados cuidadosamente, estudados e obedecidos como um padrão de autoridade.

Josué 23:2,6 — Cerca de 60 anos depois que Moisés escreveu, Josué morreu. Mas ao morrer, ele incumbiu Israel de manter exatamente tudo o que Moisés escreveu. As Escrituras ainda eram cuidadosamente preservadas e tinham que ser estudadas e obedecidas como a lei de Deus.

1 Reis 2:3 (cerca de 960 a.C.) — Cerca de 400 anos depois que Moisés escreveu, Davi encarregou Salomão de manter os mandamentos de Deus como estavam escritos na lei de Moisés. As Escrituras eram ainda exatas e tinham autoridade.

2 Crônicas 34:14-19,29-31 (cerca de 605 a.C.) — Cerca de 800 anos depois de Moisés, Josias encontrou o livro da lei de Moisés. Ele restaurou a adoração e o serviço de Deus executando os mandamentos encontrados escritos ali.

Observe que a Escritura ainda era exata e com autoridade, ainda que tivessem sido preservadas durante séculos e ainda que o povo de Deus tivesse-a negligenciado e estado em apostasia durante muitos anos. Entretanto, tudo o que era necessário para restaurar o serviço fiel a Deus era simplesmente praticar o que estava escrito no livro (veja cap. 35; 2 Reis 22:23.)

Neemias 8:1-3,8 (cerca de 450 a.C.) — Talvez uns 900 anos ou mais depois de Moisés, o povo de Israel novamente restabeleceu o serviço de Deus na Palestina. Isto ocorreu em seguida uma apostasia tão grande que o levou ao cativeiro em Babilônia. Contudo, a Escritura ainda estava tão cuidadosamente preservada que poderia ser entendida e obedecida como autoridade (veja 8:13-18; 9:3).

Deus estava, claramente, mantendo sua promessa de preservar a palavra escrita. Além do mais, ele continuou a esperar que as pessoas a estudassem e honrassem como uma revelação inspirada mostrando como deviam padronizar suas vidas.

3.  A atitude de Jesus e seus discípulos com a Escritura do Velho Testamento.

Agora chegamos ao tempo em que Jesus e seus discípulos viveram. Isto foi cerca de 1.400 anos depois que Moisés começou a escrever, e mais de 400 anos desde que a última Escritura do Velho Testamento tinha sido registrada. Estes homens também eram inspirados pelo Espírito Santo. Eles repreenderam claramente os judeus dos seus dias a respeito de qualquer erro de que eram culpados. Com certeza teriam apontado quaisquer problemas nas Escrituras judaicas, se tais problemas existissem.

O que encontramos? Disseram eles que algumas partes necessárias da Escritura do Velho Testamento estavam faltando ou que partes não inspiradas tivessem sido acrescentadas? Disseram eles que as Escrituras não podiam mais ser confiadas como uma revelação precisa da vontade de Deus?

No primeiro século, cópias do Velho Testamento foram amplamente circuladas e estudadas como revelação de Deus.

Lucas 4:16-21 — Na sinagoga de Nazaré, Jesus leu o profeta Isaías e disse que a passagem estava cumprida no próprio Jesus.

Atos 2:28-35 — O tesoureiro etíope estava lendo Isaías. Filipe usou-o como autoridade para ensinar a respeito de Jesus.

Atos 15:21 — Durante muitas gerações, cada cidade tinha uma cópia das Escrituras (de Moisés), que eram lidas na sinagoga a cada sábado. A mensagem ainda era preservada, tinha sido copiada e circulada, e estava sendo estudada e citada como autoridade. Acreditavam Jesus e seus apóstolos que este era o tratamento adequado da Escritura?

Homens inspirados citaram as Escrituras do Velho Testamento, e esperaram que as pessoas estudassem-nas e respeitassem-nas como revelação acurada e como autoridade de Deus.

Mateus 4:4,7,10 — Jesus citou as Escrituras para vencer as tentações de Satanás.

Mateus 15:1-9 — Jesus citou o Velho Testamento como sendo o mandamento de Deus, e repreendeu aqueles que não o obedeciam.

Mateus 22:29-33 — Jesus repreendeu o povo por não conhecer as Escrituras. Ele então citou Moisés, dizendo que Deus tinha dito isso “a vós” (o povo nos dias de Jesus). Ainda que esta passagem tivesse sido escrita certa de 1300 anos depois, Jesus ainda esperava que o povo de seus dias a entendesse e respeitasse como a mensagem de Deus a eles.

1 Coríntios 10:11; Romanos 15:4 — Paulo disse que as Escrituras do Velho Testamento foram escritas para ensinamento e admoestação do povo de seus dias, ainda que ele vivesse muitos séculos depois que as passagens tinham sido escritas.

Atos 17:11 — Os crentes de Beréia tinham mentes nobres, porque eles queriam examinar as Escrituras e determinar se lhes estava ou não sendo ensinada a verdade.

Evidentemente, Jesus e seus apóstolos esperavam que o povo visse a Escritura como a autoridade a ser estudada e respeitada como revelação de Deus, ainda que tivessem passado tanto como 1300 anos. Isto implica necessariamente que as Escrituras tinham sido preservadas cuidadosamente. Tudo isto é exatamente como estamos dizendo que as Escrituras deveriam ser vistas e usadas hoje em dia. 

Homens inspirados apelaram para a autoridade do Velho Testamento para confirmar seu próprio ensinamento.

Lucas 24:27,44-46 — Jesus declarou que ele cumpriu Moisés e todos os profetas, e os Salmos. Aqui Jesus apela para todo o Velho Testamento como autoridade.

Atos 17:2-3 — Paulo demonstrou que Jesus era o Cristo raciocinando com o povo sobre as Escrituras.

João 5:39,45-47 — Jesus disse que Moisés e as Escrituras testificavam dele. (Observe que Jesus e seus apóstolos ensinavam que o evangelho substituiria o Velho Testamento como mandamentos de Deus para seu povo, mas isto era porque a Velha Lei tinha cumprido seu propósito e Deus tinha sempre pretendido substituí-la — Hebreus 8:6-13; 10:1-10; Romanos 7:2-7; Colossenses 2:14,16; Gálatas 3:23-24; etc. Em nenhum ponto eles afirmaram que a razão pela qual a lei deveria ser substituída fosse porque seu registro escrito tivesse ficado perdido ou pervertido em conteúdo.)

Homens inspirados usaram a evidência baseada em minúcias das Escrituras.

Mateus 22:31-32 — Tendo repreendido os homens por serem ignorantes das Escrituras, Jesus provou a ressurreição porque Deus disse, “Eu sou o Deus de Abraão...” (veja Gálatas 3:16). A prova de Jesus era baseada numa citação de Moisés, na parte mais antiga das Escrituras. Ela dependia da exatidão da palavra escrita em tempo de verbo e não teria significado nada se tivesse havido qualquer possibilidade de que a palavra escrita se tivesse tornada inexata.

É evidente que homens inspirados viam as Escrituras como a acurada revelação de Deus, e eles esperavam que outras pessoas em seus dias fizessem o mesmo. Mas, lembre-se de que esses homens reprovaram todos os pontos em que os judeus do seu tempo estavam em erro. Tivesse havido qualquer erro nas Escrituras dos judeus, esses homens inspirados certamente lhes teriam dito isso. Em vez disso, eles citaram as Escrituras e as respeitaram como autoridade de Deus.

Mas o Novo Testamento foi escrito, copiado, circulado, traduzido e preservado exatamente do mesmo modo que o Velho Testamento tinha sido. Deus descreveu o Novo Testamento como “Escritura”, exatamente como ele fez com o Velho Testamento. Ele claramente afirmou que o Novo Testamento seria usado como prova escrita de sua vontade para o homem, exatamente como o Velho Testamento tinha sido. Ele prometeu preservar o Novo Testamento, exatamente como ele tinha prometido preservar o Velho Testamento.

Se Deus preservou cuidadosamente o Velho Testamento durante múltiplos séculos até os dias de Jesus, em cumprimento de suas promessas, quem pode duvidar de que Deus preservou do mesmo modo toda a Bíblia através dos séculos até hoje? Todos os que crêem no poder de Deus deverão aceitar hoje a Bíblia como a palavra de Deus e deverão usá-la como o padrão de autoridade absoluto e infalível para ensinar a vontade de Deus para nossas vidas.

Parte 3: O cumprimento da promessa de Deus para preservar sua palavra.


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