Lições
do "Projeto Torre"
Atentativa de edificar "uma
torre cujo topo chegue até aos céus", como é
descrita em Gênesis 11:1-9, é o único evento importante relatado
nas Escrituras entre Noé e a chamada de Abraão. A maioria dos leitores já
conhecem a história, mas faria bem para todos a lerem de novo. Ela contém
muitas informações de valor histórico, mas o seu valor maior está nos
princípios revelados sobre Deus e o homem. Considere, pelo menos, estas
três lições:
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Grande nem sempre é bom. De todas as pessoas que já viveram, os
norte-americanos possam ser os mais inebriados com grandeza. Falamos com
orgulho de morar na maior cidade, estudar na maior escola e fazer cirurgia
no maior hospital; além de ter a maior casa, o maior carro e até a maior
fazenda. Infelizmente, tais padrões, freqüentemente, são aplicados na
religião. Algumas pessoas determinam se uma afirmação seja certa ou não
pelo número de pessoas que acreditam nela. Elas julgam uma igreja pelo
tamanho do seu prédio, a grande variedade de seus programas e a multidão
de membros. Alguns até supõem que o crescimento de uma igreja
necessariamente prova que Deus está com ela e que ele aprova as suas
obras.
O projeto torre na planície
de Sinar era um grande empreendimento. Pode ser que envolveu toda a
humanidade e os planos eram, de fato, visionários. Mas, Deus não o
aprovou. O projeto estava errado por, pelo menos, dois motivos. Primeiro,
foi o produto de ambições humanas e teve como alvo o engrandecimento do
homem e não a glória de Deus. Segundo, foi projetado para conseguir um
alvo oposto à vontade de Deus. Deus havia dito: "Sede
fecundos, multiplicai-vos e enchei a terra" (Gênesis 9:1). O
propósito explícito de construir a torre foi: "para que não
sejamos espalhados por toda a terra" (Gênesis 11:4).
Ajuntar cristãos em congregações
maiores e construir prédios grandes não está errado se pode mostrar que
isso resultará na salvação de mais almas ou a transformação de mais
pessoas na imagem de Cristo; mas fazer tais coisas para tornar "célebre
o nosso nome" é certamente uma abominação diante de Deus, como foi
a torre de Babel. No primeiro século, a evangelização foi facilitada
pela dispersão da igreja de Jerusalém e o mesmo método geralmente é o
mais eficaz hoje. Não esqueçamos da instrução de Jesus: "Ide
por todo o mundo" (Marcos 16:15).
A união e a cooperação nem sempre são desejáveis. O entusiasmo
das pessoas no "Projeto Torre" se torna evidente pelas próprias
palavras delas. Podemos quase sentir o ânimo de ter tantas pessoas unidas
e cooperando no esforço. Devem ter falado: "Não é maravilhosa esta
comunhão?"
Deus não a considerou
maravilhosa! Ele teria ficado contente se alguém tivesse perturbado
aquela união — se alguém tivesse se levantado para objetar, os
relembrando das instruções de Deus. Se tais objeções não tivessem
conseguido mudar as idéias do povo, Deus teria ficado contente com a
decisão de um ou mais a ir embora, se dissociando dos seus irmãos. Alguém,
pela fé, devia ter ouvido Deus dizendo: "Retirai-vos do meio
deles, separai-vos". Mas, ninguém escutava.
Deus deseja união, sim, mas
somente na verdade. Ele quer cooperação, é claro, mas somente em fazer
a vontade dele. Verdadeira união e cooperação não exigem proximidade física.
Não temos que sentar-nos na mesma plataforma ou escrever pelo mesmo
jornal para termos comunhão com Cristo. Aqueles povos antigos em Gênesis
teriam cooperado com Deus e um com o outro se tivessem partido por
caminhos diferentes para encher a terra, fazendo a vontade de Deus. Essa
teria sido comunhão agradável—aquela boa e doce comunhão em fazer a
vontade de Deus que é tão desejável. Mas, de fato, eles se uniram em
rebelião e cooperaram para a glória do homem; de tal unidade Deus nunca
se agradou.
Ž
A vontade de Deus será feita. Essas pessoas não obedeceram
voluntariamente as instruções de Deus para encher a terra. Mas a vontade
de Deus foi feita. Quando Deus confundiu a língua deles, ele "os
dispersou dali pela superfície da terra" — exatamente o
resultado que eles procuraram evitar. A vontade de Deus foi feita, mas
eles não receberam nenhuma bênção.
Sou convencido que, se nós
falharmos em levar o evangelho para o mundo inteiro, a vontade de Deus de
algum modo ainda será feita. Como Mordecai disse a Ester: "Porque,
se de todo te calares agora, de outra parte se levantará...socorro e
livramento, mas tu e a casa de teu pai perecereis" (Ester
4:14). Aqueles que ouvem o evangelho podem o rejeitar e recusar a
reconhecer Jesus agora, mas um dia eles o reconhecerão. "Deus
o exaltou sobremaneira e lhe deu o nome que está acima de todo nome, para
que ao nome de Jesus se dobre todo joelho, nos céus, na terra e debaixo
da terra, e toda língua confesse que Jesus Cristo é Senhor, para glória
de Deus Pai" (Filipenses 2:9-11). Como seria
melhor fazer a vontade de Deus agora, voluntariamente para a recompensa
que ele tem prometido, do que sermos forçados contra a nossa vontade e
para nossa eterna vergonha!
Sewell Hall
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