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"Senhor, ensina-nos a
orar" (3º de 24 artigos)
A oração de
intercessão do Senhor
Não é difícil imaginar o tremendo efeito que a vida de Jesus deve ter tido
sobre seus discípulos, de todos os modos, enquanto estava tão intimamente
associados com ele durante os três anos e meio de seu ministério. Como a
escritura nos revela, a regularidade da oração em sua vida, a proximidade que
ele sentia com o Pai, e a natureza sincera de suas orações como é vista
naquelas poucas que são registradas, ele se torna nosso exemplo na oração
como em outras características de uma vida espiritual. Há tanto que precisamos
aprender com Jesus sobre este poder maravilhoso que está tão prontamente acessível
a nós em nossas vidas.
João 17 é a oração de Jesus mais longa que foi registrada. O que podemos
aprender com o conteúdo desta oração de nosso Senhor? A oração é dividida
em três partes. Primeira, Jesus ora em vista de sua própria relação com o
Pai, segundo, ele ora em favor de seus apóstolos; e terceira, ele ora por todos
os crentes.
Certamente as preocupações de Jesus deveriam ser desejo de glorificar a Deus.
Sabemos como ele glorificava a Deus e como nós, por nossa vez, podemos glorificá-lo.
Ele já tinha glorificado a Deus cumprindo a obra que era para ele fazer. Tinha
chegado a hora dele morrer na cruz pelos pecados da humanidade. Ele seria
reerguido dentre os mortos, derrotando assim aquele que tinha o poder da morte,
o diabo; e depois de aparecer para confirmar sua ressurreição, ele subiria ao
trono de Deus para receber seu reino e reinar até que o último inimigo, a
morte, fosse vencido pela ressurreição final da humanidade.
Ele orou a Deus para que o glorificasse, para que, por sua vez, ele glorificasse
a Deus. Nós também temos que glorificar a Deus (1 Coríntios 6:20) e fazemos
isso adequadamente, cumprindo a obra que ele nos deu para fazer. As Escrituras
nos preparam completamente para toda a boa obra e o glorificamos sendo
cumpridores dessa palavra, e não apenas ouvintes.
Sua oração por seus apóstolos foi em vista de ele não mais estar no mundo,
mas ir para o Pai. Ele tinha feito, antes, muitas coisas pela proteção deles.
Ele tinha manifestado o "nome" de Deus a eles, e isto inclui
manifestar "tudo o que um nome implica, de autoridade, caráter, posição,
majestade, poder, excelência, etc." (W. E. Vine, An Expository
Dictionary of New Testament Words, p. 100). Ele também lhes deu as palavras
que Deus lhe deu, glorificando Deus ao transmitir-lhes que o Pai era a fonte de
seu ensinamento. Ele os tinha conservado no nome de Deus, e agora orava para que
o Pai continuasse a guardá-los na verdade, afirmando: "Tua palavra é a
verdade." Devemos fazer nossa parte para realizar as coisas pelas quais
oramos. Entretanto, depois que fizermos tudo dentro de nosso poder pelo bem
daqueles que amamos, devemos orar, sabendo que o poder de Deus é grande, muito
além de nossa capacidade de agir. Nós, como Jesus, devemos confiar no poder da
palavra de Deus para dar conhecimento benefício e para nos santificar ou
apartar-nos para uma santa maneira de viver, ajudando-nos, e aqueles que amamos,
a abster-nos do mal do mundo. Devemos, também, confiar no poder de Deus para
responder as nossas orações e para fazer aquilo que não podemos realizar.
A oração de Jesus por todos os discípulos foi para que todos eles fossem um só.
Ele orou pela mais íntima unidade: "como és tu, ó Pai, em mim e eu em
ti". Verdadeiramente, ele e o Pai são um só. O Pai está no Filho e o
Filho deve estar em nós. Quando aperfeiçoamos Cristo em nós, podemos ser
aperfeiçoados na unidade. Devemos desejar esta unidade e sermos diligentes para
mantê-la, porque é a oração sincera e expressa de nosso Senhor. Também,
percebendo que outros, vendo tal unidade, podem ser levados a crer, devemos ser
motivados pelo amor a eles para trabalhar por tal unidade. Deus irradia a glória
de seu caráter maravilhoso, uma parte do qual é seu grande amor por Cristo e
por nós. Cristo irradia esta glória e, quando contemplamos sua glória, ela
pode motivar-nos a aperfeiçoar Cristo em nós. Assim como seu glorioso amor é
aperfeiçoado em nós, ele nos levará a sermos um só com todos os gloriosos
benefícios de tal unidade.
Que oração maravilhosa!
- por Dave Bradford
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