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Igrejas devem
sustentar orfanatos?
[Nota do redator: Para andar na verdade, nós temos que seguir cuidadosamente as
instruções das Escrituras. Historicamente, os homens têm desviado
repetidamente da simplicidade do plano de Deus, tentando "melhorar" as
coisas do Senhor. No Novo Testamento, congregações independentes fizeram seu
trabalho sob a supervisão dos seus próprios presbíteros ou pastores (Atos
14:23; 20:17,28; Filipenses 1:1; 1 Pedro 5:1-3). Uma característica de um dos
primeiros desvios nos séculos depois do Novo Testamento foi o desenvolvimento
de organizações centralizadas que começaram a supervisionar alguns aspectos
dos trabalhos de várias congregações. Nós que procuramos seguir o Senhor
temos motivos para ficar preocupados e tristes quando alguns que dizem seguir a
Bíblia procuram estabelecer tais organizações centralizadas. Este artigo
trata de um exemplo (orfanatos), mas as mesmas questões precisam ser levantadas
em relação a outras organizações, como seminários, faculdades, acampamentos
e organizações missionárias. A questão nã é o sustento de órfãos (conheço
muitos cristãos dedicados que dão de si mesmos para criar órfãos em famílias
verdadeiras, e não em meras instituições). Mas o assunto que precisa ser
examinado é a maneira que Deus autorizou para fazer o trabalho que ele mandou.
Por favor, leia com cuidado e procure falar onde Deus tem falado, evitando
qualquer coisa que ele não autorizou (1 Pedro 4:11; 1 Coríntios 4:6; 2 João
9). Pessoas com boas intenções podem errar, mas a palavra de Deus é poderosa
para nos corrigir antes de abandonar o caminho dele totalmente. Vamos ter amor e
coragem suficientes para obedecer as instruções de Paulo: "...julgai
todas as coisas, retende o que é bom; abstende-vos de toda forma de mal"
(1 Tessalonicences 5:21-22).]
A questão de sustento de orfanatos por igrejas tem gerado controvérsia. Muitos
afirmam que não há autorização no Novo Testamento para as igrejas
sustentarem orfanatos (eu mesmo defendo esta posição), enquanto outros
defendem a prática. Neste artigo, levantamos várias perguntas relacionadas a
essa controvérsia, querendo esclarecer a verdadeira questão.
Você se refere a qual tipo de orfanato? Estamos escrevendo sobre
orfanatos supervisionados por diretorias institucionais. Essas diretorias
constituem agências centrais que solicitam, recolhem e distribuem fundos de várias
congregações e fornecem supervisão "em favor" das igrejas na obra
específica a ser realizada. Não há autorização no Novo Testamento para tais
organizações centralizadas entre igrejas de Cristo. O Novo Testamento não
fala nada sobre nenhuma organização "inter-igreja".
Tiago 1:27 autoriza sustento por igrejas de tais organizações que cuidam de
viúvas e órfãos? Tiago 1:27 diz: "A religião pura e sem mácula,
para com o nosso Deus e Pai, é esta: visitar os órfãos e as viúvas nas suas
tribulações e a si mesmo guardar_se incontaminado do mundo."
Valorizamos o ensinamento de Tiago 1:27 e procuramos segui-lo. Ninguém pode ir
para o céu sem praticar a religião pura e sem mácula como descrita nesta
passagem. Mas, não encontramos nesta passagem para igrejas sustentar diretorias
institucionais quando nenhuma das duas coisas é mencionada no versículo.
De fato, uma leitura cuidadosa deste versículo, junto com o versículo
anterior, vai convencer o leitor que o assunto aqui é a religião de um
homem e não atividade de igrejas.
Você está dizendo que existe uma distinção entre responsabilidade
individual no trabalho do Senhor e a responsabilidade de uma igreja local? É
claro que sim. Esta distinção é feita claramente em 1 Timóteo 5:16: "Se
alguma crente tem viúvas em sua família, socorra_as, e não fique
sobrecarregada a igreja, para que esta possa socorrer as que são
verdadeiramente viúvas." Aqui encontramos algo que o indivíduo
deve fazer e que a igreja não deve fazer.
A igreja tem responsabilidades em termos de benevolência, não é? Sim.
O versículo citado acima fala sobre uma das responsabilidades de benevolência
da igreja, a de ajudar as viúvas verdadeiramente viúvas. Outras passagens que
ensinam sobre as responsabilidades da igreja em termos de benevolência são
Atos 2:44-45; 4:34-35; 6:1-6; Romanos 15:25-33; 1 Coríntios 16:1-4; e 2 Coríntios
8 e 9. Sugerimos que estas passagens, e quaisquer outras que falam sobre
trabalho da igreja nesse campo, sejam consideradas cuidadosamente.
A palavra "benevolência" não sugere, implicitamente, um lar para
cuidar dos necessitados? Talvez sim, talvez não, mas nós não objetaríamos
a uma igreja fornecer lugar ou comida ou roupas ou supervisão dos órfãos, se
essas coisas fossem necessários para cumprir suas responsabilidades de benevolência.
Entenda que a questão real não é se igrejas podem fornecer essas coisas, mas
se igrejas podem passar seus fundos e o trabalho de supervisão para uma
diretoria central que, por sua vez, fornece tais coisas. A diretoria
institucional, ou seja, a organização inter-igreja, é a coisa sendo
questionada. O Novo Testamento não autoriza essas agências centrais.
Mas, as igrejas do Novo Testamento não fizeram obras de benevolência?
Sim, mas cada igreja fez seu próprio trabalho de benevolência por meio de sua
própria estrutura de organização. Quando o trabalho de servir às mesas se
tornou grande para os apóstolos (Atos 6:1-6), eles não recomendaram a criação
de uma diretoria institucional fora da estrutura da igreja local. Assim, eles não
criaram uma organização inter-igreja que supervisionaria o trabalho de todas
as igrejas que iam ser estabelecidas depois. Antes, a igreja foi instruída
assim: "...escolhei dentre vós sete homens de boa reputação,
cheios do Espírito e de sabedoria, aos quais encarregaremos deste serviço".
Estamos dizendo simplesmente que cada igreja deve fazer seu próprio trabalho de
benevolência sob a supervisão dos seus próprios presbíteros auxiliados pelos
seus próprios diáconos. Esse é o plano bíblico.
Suponha que surjam condições onde fica impossível para a congregação
cuidar dos seus próprios necessitados, o que faria? Tais condições
surgiram no Novo Testamento (Atos 11:27-30; Romanos 15:25-26). Nesses casos,
igrejas que tinham condições enviaram assistência às igrejas necessitadas,
capacitando as igrejas pobres a cuidar dos seus próprios. O leitor fará bem
observando que os fundos não foram enviados à diretoria de uma instituição
e, sim, aos presbíteros das igrejas pobres (Atos 11:27-30).
Para resumir, encorajamos cada cristão a praticar "religião pura e
sem mácula" o melhor possível dentro de sua própria capacidade.
Encorajamos igrejas a assistir aos próprios necessitados sob a supervisão dos
seus próprios presbíteros. E, encorajamos cristãos em todo lugar a pensarem
sobre as agências centrais que têm sido criadas entre as igrejas. "E
tudo o que fizerdes, seja em palavra, seja em ação, fazei_o em nome do Senhor
Jesus..." (Colossenses 3:17).
-por Bill Hall
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