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Um convite à alegria

A questão levantada pelos discípulos de João sobre os modos festivos  de Jesus e seus discípulos num tempo que eles viam como cheio de   tragédia (Mateus 9; Marcos 2; Lucas 5) mais tarde apareceu numa inquirição queixosa do próprio prisioneiro João: "És tu aquele que estava para vir ou havemos de esperar outro?" (Mateus 11:3). Era o grito ansioso de alguém cujos sofrimentos tinham-no aparentemente feito duvidar por um momento do próprio Rei e do reino que ele próprio tinha proclamado. Depois de responder a pergunta de João, Jesus falou de sua incomparável grandeza à multidão reunida e então repreendeu-a, observando que eram pessoas como crianças teimosas em seus jogos, que se recusavam a brincar de casamento ou de funeral (Mateus 11:16-19). João tinha vindo jejuando e vivendo isolado e eles tinham dito que ele era possuído por um demônio. Jesus veio festejando e vivendo livremente entre eles, e tinham se queixado que ele era glutão e comparsa de pecadores!
   
É inquestionável que Jesus identificava sua missão e sua mensagem como sendo de alegria. Ele é o verdadeiro noivo que nos convidou para uma festa de casamento. Ele veio trazer paz aos perturbados, perdão para os culpados, alegria para os abatidos, liberdade para os escravizados (Isaías 61:1-3). A mensagem e o jejum de João e seus discípulos tinham sido inteiramente apropriados a tempo -- e ainda é -- quando homens e mulheres, em sua teimosia e orgulho, precisam arrepender-se e humilhar-se diante de um santo e justo Deus. Mas não faz sentido para aqueles que se arrependeram em profundo remorso continuar o funeral quando "... o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo" chegou (João 1:29).
   
É irônico que foi o próprio João Batista que antes tinha dito, "Eu não sou o Cristo.... o amigo do noivo que está presente e o ouve muito se regozija por causa da voz do noivo. Pois esta alegria já se cumpriu em mim. Convém que ele cresça e que eu diminua" (João 3:28-30). Por que estavam os discípulos deste próprio João jejuando e lastimando? Porque ainda não tinham crido que Jesus era o Cristo de Deus. Em suas mentes duvidosas, o "noivo" ainda não estava com eles. Diferindo do seu mestre, ainda não tinham chegado a saber e regozijar nele.
   
Ainda há pessoas que têm dificuldade para passar de João a Jesus. É certamente verdade quanto aos membros do partido "Batista", que defendem seu nome e espírito sectário apelando para João Batista, ao invés de Cristo. Pode ter sido uma vez apropriado ser um discípulo do Batista mas, agora que o próprio Filho de Deus veio, isso é totalmente sem justificação (Atos 19:1-5). João teria sido o primeiro a reprová-lo. Atos 11:26 diz: "foram os discípulos... chamados cristãos".
   
O mesmo é verdade quanto a todos os que reverenciam homens que falam de Cristo, acima do próprio Cristo. Não há, absolutamente, nenhuma defesa para homens alegremente chamando-se luteranos ou wesleyanos, e outras coisas, ou, mais sutilmente, tranqüilamente estimando pregadores contemporâneos e seus julgamentos acima da pessoa e vontade de Deus. "Aquele que se gloria, glorie-se no Senhor" (1 Coríntios 1:31; veja 1:11-13).
   
Mas há um problema, ainda mais fundamental, abordado na resposta de Jesus aos discípulos de João. Jesus disse que estar com ele era ter alegria. Contudo, há cristãos que aceitaram o convite para a festa de casamento do Senhor, mas parece que não estão querendo sair da marcha fúnebre. Eles parecem determinados a viver em perpétua aflição e desespero pelas suas imperfeições e fracassos. O convite do Senhor para comemorar e exultar em sua misericórdia certamente não é chamar para viver com ocasional indiferença pelo pecado, nem é também um chamado para um perpétuo bater nos peitos, uma vez que nos arrependemos e buscamos seu magnânimo amor.
   
Não é adequado que cristãos vivam na presença do próprio Senhor como povo derrotado e desesperado. Tal comportamento se torna uma injúria contra sua benignidade.
   
Não é adequado também que o povo de Deus tenha que servi-lo como "escravos indo açoitados para o seu calabouço", cumprindo seu serviço a Ele como um dever oneroso e opressivo. Tal conduta é uma difamação de sua graça, uma acusação que desonra seu amor. Para viver verdadeiramente na feliz companhia do Filho de Deus terá de saber que seu jugo é suave e seu fardo é leve (Mateus 11:30).
   
Pode não ser possível, na verdade, dominar uma emoção, mas é possível decidir olhar sinceramente para as grandes verdades sobre Deus que, se assim fizermos, nos trarão alegria inevitável. Assim Paulo diz aos filipenses, "Alegrai-vos sempre no Senhor; outra vez digo: alegrai-vos" (Filipenses 4:4). Simplesmente, não é certo para os cristãos estarem perpetuamente tristes e desconsolados, quaisquer que sejam suas cargas. Paulo está certo em dizer que há bastante alegria em Cristo para suplantar completamente todas as nossas tristezas. Como o próprio nosso Senhor disse, há algumas coisas que justamente não são adequadas quando estamos vivendo na amável companhia do Rei do universo.

- por Paul Earnhart


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