|
Como Jesus fez o que nenhum
outro conseguiu?
Demonstração no deserto (2)
[Nota do redator: Este artigo é a conclusão
do estudo sobre as tentações de Jesus no deserto. O primeiro artigo, que
considerou o ambiente das tentações e a primeira das três ciladas do Diabo,
foi publicado em Andando na Verdade, ano 1, número 4. Este continua,
examinando as outras duas tentações.]
Queda do templo (Mateus 4:5-7)
O Diabo decidiu, então, a responder à menção da palavra de Deus por Jesus,
citando as Escrituras a Jesus. Levando Jesus ao pináculo do templo, ele tentou
Jesus a se atirar abaixo, uma vez que Deus prometeu proteger seu Ungido em Salmo
91:11-12. O argumento sutil do Diabo é este: Uma vez que Deus é seu Pai, deixe
ele mostrar quanto que ama ao Filho. Ou seja, deixe Deus fazer isso por você!
O ponto da resposta de Jesus é facilmente perdido. Jesus não disse ao Diabo
que não deve tentar ao Senhor no sentido de repreender o Diabo por tentá-lo;
ele estava explicando por que o Filho não poria o Pai à prova. No final das
contas, se você realmente confia em alguém, você precisa testá-lo? Claro que
não. Jesus não usaria sua posição como Filho de Deus para obrigar Deus a
provar seu amor por causa de algum tipo de insegurança. Ele bem sabia que Deus
o amava. Nenhuma prova era necessária.
Quando eu era menino, meu bisavô morreu de câncer. Eu distintamente lembro a
minha oração: "Deus, se o Senhor deixar meu bisavô morrer, eu nunca mais
vou amar ao Senhor." Foi uma oração de imaturidade. Quando damos para
Deus ultimatos ou prazos definidos para ele cumprir alguma exigência nossa,
estamos demonstrando imaturidade incrível. Deus nos criou e enviou seu próprio
Filho para morrer por nós! Que outra prova necessitamos?
Adore-me (Mateus 4:8-10)
A última tentação foi a tentativa mais ousada do Diabo a tomar poder. O
trato foi bem simples. Depois de mostrar para Jesus todos os reinos
do mundo e a glória deles, o Diabo fez esta oferta: "Tudo isto te
darei se, prostrado, me adorares" (4:9). Numa fraseS Deixe que
eu o faça por você!
Não é possível ter certeza sobre exatamente o que o Diabo sabia sobre a missão
de Jesus. É possível que o Diabo sabia alguma coisa sobre o sofrimento de
Jesus, e que ele tinha uma idéia vaga que esse sofrimento seria preliminar ao
reinado de Cristo? Se o Diabo entendeu isso, podemos ver na sua oferta uma
oportunidade para Jesus receber a coroa sem sofrer na cruz.
Jesus recusou esse trato com uma rejeição enfática do Diabo: "Retira-te,
Satanás, porque está escrito: Ao Senhor, teu Deus, adorarás, e só a ele darás
culto" (4:10). Jesus entendeu que adoração e serviço são
inseparáveis e que adorando-o, o Diabo o obrigaria a servi-lo. O Diabo ofereceu
um reino a Jesus, mas, se Jesus adorasse o Diabo, quem seria o verdadeiro rei? O
Diabo! Jesus veio para fazer a vontade de seu Pai, não a dele mesmo, e
certamente não a do Diabo.
O Diabo nunca mais tentou confrontar Jesus do mesmo modo. Mas, ele continuou
atacando o Filho de Deus de uma maneira mais sutil. Em Mateus 16:21-23, quando
Jesus explicou aos discípulos que ele ia morrer, Pedro o repreendeu. Jesus
replicou com a pior advertência possível: "Arreda, Satanás".
Isso não foi um insulto falado à toa. O Diabo estava usando Pedro para repetir
a mesma tentação que ele usou no deserto. Uma coroa? Sim! Uma cruz? Nunca!
O Diabo é diabólico. Ele nos oferece sossego pelas drogas, com intenção de
nos prender na dependência. Ele oferece prazer sexual, pretendendo nos pegar na
tristeza e destruição física. E ainda assim, ele nunca desiste!
É por esse motivo que o registro do Diabo contra a humanidade foi perfeito
durante tanto tempo. Mas Jesus tem nos mostrado como destruir as obras do Diabo.
Como Jesus, podemos encher nossos corações com a palavra de Deus para estarmos
informados sobre o pecado (Salmo 119:11). Como Jesus, podemos nos preparar,
através da oração, para enfrentar a tentação (Mateus 26:41). E, como Jesus
fez, nós podemos resistir o Diabo em plena confiança que ele fugirá de nós
(Tiago 4:7).
Jesus completamente derrotou o Diabo. Não devemos imaginar que Jesus, de alguma
forma, foi encostado na parede pelo Diabo. Na verdade, no final dessa disputa,
foi o Diabo que queria se esconder! A derrota de Satanás no deserto foi uma
pequena previsão da vitória que Jesus teria por todos nós no Calvário e na
sua ressurreição. Através de Jesus, temos perdão do nosso passado, poder
para o presente, e esperança para o futuro. "Tendo, pois, a Jesus, o
Filho de Deus, como grande sumo sacerdote que penetrou aos céus, conservemos
firmes a nossa confissão" (Hebreus 4:14).
- por Shane Scott
Demonstração
no deserto (1)
|