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Encontrando nosso
caminho através das parábolas
Há alguns princípios importantes que precisam guiar-nos se quisermos descobrir
os tesouros das parábolas. A falta de conhecer e observar a pauta natural que
governa a interpretação do tipo especial de literatura ao qual as histórias
de Jesus pertencem produzirá confusão antes que iluminação.
Um exemplo clássico de como não fazer é visto no tratamento de Agostinho da
parábola do Bom Samaritano. Ignorando o indício contextual, o grande
norte-africano alegorizou a simples história de Jesus numa história da
humanidade. O homem derrubado por ladrões (Satanás e seus anjos) era Adão que
tinha, em rebelião, saído de Jerusalém (a cidade celestial) e partido para
Jericó (mortalidade). Satanás tinha-o despido (de sua imortalidade) e deixado
semi-morto (espiritualmente, mas não fisicamente). O sacerdote e o levita
(sacerdócio e ministério do Velho Testamento) que passaram foram incapazes de
salvar o homem e ele foi deixado para o samaritano (o Senhor) atar suas feridas
(coibir o pecado), derramar óleo (esperança) e vinho (fervor). A estalagem é
a igreja, o estalajadeiro é Paulo, e os dois dinheiros são ou os dois maiores
mandamentos, ou os dois "sacramentos". Nenhum comentário sobre tão
evidente excesso é necessário.
As parábolas de Jesus devem ser abordadas naturalmente, tomando cuidado para não
desencaminhá-las de seu simples propósito. Elas são histórias ilustrativas
geralmente concebidas para ter três partes básicas: ŒUma
ocasião histórica que produziu a parábola. A
história ou narrativa. E Ž
a lição principal a ser extraída dessa história. Com isto em mente, olhemos
para certas regras importantes a seguir na busca das mensagens individuais das
parábolas.
ŒEstude a parábola
em seu contexto histórico para determinar por que foi contada.
Todas as parábolas foram primeiro contadas a uma determinada audiência numa
ocasião específica. Por exemplo, a história do Bom Samaritano foi ocasionada
pela queixa de certo advogado a Jesus, que era difícil amar seu próximo quando
não podia imaginar quem ele era (Lucas 10:25-30), e as três maravilhosas parábolas
sobre as coisas perdidas em Lucas 15 foram uma resposta aos ataques feitos
contra Jesus pela "má companhia" que ele estava mantendo (versículos
1-2). Às vezes esta informação de pano de fundo está faltando e o
significado de uma determinada parábola precisa ser buscado na informação
mais ampla dos Evangelhos, mas, quando presentes, as circunstâncias nas quais
uma parábola foi contada nos dão uma indicação mais certa quanto ao propósito
do Senhor para sua história. O contexto precisa sempre governar o texto.
Procure a verdade
principal que a parábola pretende ensinar. Muitas
parábolas pretendem desenvolver apenas um ponto, e não ser um veículo para
todo o esquema da redenção. Lições secundárias podem muitas vezes ser
legitimamente extraídas de uma parábola, mas isto deve ser feito com cuidado e
somente depois que a mensagem principal tiver sido determinada.
Ž Não se perca nos
pormenores da parábola. Os pormenores de uma parábola
às vezes podem ter significado, mas na maioria das vezes eles não contêm
nenhum significado oculto e são simplesmente designados a preencher a história.
O bezerro cevado, música e dança, anel de ouro, sapatos e vestes da história
do filho pródigo não são simbólicos de nada, mas simplesmente refletem, em
termos significativos para o tempo, a alegria do pai pela volta de seu filho.
Uma boa regra é não dar nenhum significado figurativo a minúcias, a menos que
o contexto o autorize.
Não tente
estabelecer uma posição doutrinária somente por uma parábola.
Há muito que é esclarecido para nós pelas parábolas de Jesus, mas precisam
sempre ser entendidas à luz dos ensinamentos claros da Escritura, nunca em
contradição com ela. Estas ilustrações são mais destinadas a serem janelas
do que pedras de fundação. Elas não declaram tanto uma doutrina quanto
ilustram uma faceta significativa dela.
Finalmente, e mais
importante, procure sempre uma aplicação pessoal de cada parábola.
Depois de ter determinado a lição, ou as lições corretas da parábola sendo
estudada, a pergunta mais importante é: "Encontrei a mim mesmo nesta parábola?"
"Quais mudanças em minha vida e meus pensamentos esta parábola exige de
mim?" Não há nada tão trágico como um estudo dos ensinamentos de Jesus
que não é conduzido por mais do que uma curiosidade intelectual, a menos que
seja o estudo de algum pregador que sente a necessidade "profissional"
de pregar um sermão a outros sem um único pensamento de fazer qualquer aplicação
a si mesmo. É imperativo, em nosso estudo das parábolas, que cada um
continuamente pergunte, "Senhor, o que há aqui para mim?" Deste modo
somente encontraremos os ouvidos de ouvir para os quais nosso Senhor apelou
quando pela primeira vez ele ensinou por parábolas (Marcos 4:9, 23).
- por Paul Earnhart
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