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Os argumentos de
Jeroboão para defender inovações
Os psiquiatras nos dizem que a maioria das pessoas que são enganadas quer ser
enganada. Pelo menos têm suas mentes preparadas para tentar acreditar num certo
tipo de mensagem. Esta é a tremenda vantagem que o médico charlatão tem com
os que estão seriamente doentes ou incuráveis; eles querem acreditar nele. O
falso mestre goza exatamente da mesma vantagem, quando diz o que é desejado e
agradável a seus ouvintes. Estes fornecedores de falsa esperança não são
desprovidos de habilidade e usualmente se exercitam para desenvolver uma
apresentação atraente, razoável e acreditável. Mas o elemento real do engano
não é, normalmente, tanto a habilidade para confundir intelectualmente como é
a capacidade para entender e instigar os desejos e as fraquezas das pessoas.
Os argumentos de Jeroboão para levar Israel à trágica apostasia é um exemplo
nítido. Não obstante sua posição como rei, seu sucesso é espantoso ao
executar uma mudança drástica e popular nas devoções religiosas de uma nação,
em uma só geração. Os lugares indicados por ele mesmo ficavam como rivais de
Jerusalém como sedes de adoração (Deuteronômio 12:14; 1 Reis 12:28-29) e o
povo teve três santuários em vez de um só. Ele instituiu seus próprios
aspectos, tais como imagens e sacerdotes não levíticos (1 Reis 12:28,31). Ele
mudou as datas dos dias de festa, de acordo com o que ele tinha "escolhido
ao seu bel prazer". Assim, em vez de lealdade religiosa e unidade entre o
povo, temos uma grande divisão: três santuários em vez de um, duas ordens de
adoração, em vez de uma, imagens absolutamente não autorizadas, sacerdócios
rivais e festas competitivas. E um dos estabelecimentos de Jeroboão era em
Betel, apenas 19 quilômetros de Jerusalém, uma descarada declaração de divisão
e desrespeito pela verdadeira adoração. Para um homem realizar tanto, mesmo
para o mal, é exigida capacidade e percepção dos desejos e fraquezas de um
povo. Os argumentos de Jeroboão refletem sua posse desta percepção.
ŒEle apelou para o
conforto, conveniência e vida regalada: "Basta de subirdes a Jerusalém"
(1 Reis 12:28). Jerusalém estava mesmo a uma grande distância para aqueles que
não tinham problemas com poluição de escapamento de automóvel. Era uma
viagem que consumia tempo e considerável despesa. Sem dúvida os menos zelosos
ficaram alegres ao ouvir um homem da proeminência de Jeroboão, vitalidade e
força pessoal, dizer que isso era exigir demais. Ele entende. E quem teria uma
mente tão estreita para dizer que Deus condenaria a adoração em Dã, mas
aceitaria em Jerusalém?
Ele apelou para o
senso de piedade e adoração deles. "Vês aqui teus deuses, ó Israel, que
te fizeram subir da terra do Egito" (1 Reis 12:28). Não subestime a
esperteza de Jeroboão acusando-o aqui de tentar dizer aos judeus que Jeová não
é Deus. Isso muito provavelmente teria ofendido tanto uma realidade e fé tão
básicas que teria sido quase impossível acreditar. Mas o povo se deleitava em
ter uma representação tangível da divindade. Talvez ela fosse modelada mais
ou menos como um querubim, como alguns sugerem, o que teria facilitado o apelo
de Jeroboão para o povo identificar Deus com seus bezerros e buscar a ele ali.
Ž Ele apelou para o
orgulho. Os israelitas já tinham se desligado de Judá, zangados com as
palavras imprudentes de Roboão. Eles se tinham rebelado, dizendo: "Que
parte temos nós com Davi? Não há para nós herança no filho de Jessé! Às
vossas tendas, ó Israel!" (1 Reis 12:16). Judá não nos oferece nada!
Vamos para casa. Jeroboão ofereceu-lhes santuários em sua terra! Israel é tão
boa quanto Judá. Dã e Betel são tão satisfatórias quanto Jerusalém. O
orgulho regional pode ficar forte.
Ele apelou para memórias
nostálgicas e preciosas pela própria seleção de Dã e Betel como santuários,
e Siquém como capital. Fora da conveniência para o povo do norte, Dã era
associada com a adoração de Deus através de imagens de prata (Juízes 17 e
18). Jeroboão inventou um bezerro de ouro. Betel estava fortemente associada
com Jacó e Samuel e assim era historicamente afetuosa em sua sentimentalidade,
e se tornou o lugar de um templo pretensioso. Siquém relembra os dias de Abraão,
e foi uma cidade sacerdotal. Estas são as "nossas" cidades.
Ele dava a entender
que tudo estava bem, que era a mesma velha adoração para aqueles que não têm
porção em Judá e nenhum desejo de apoiar seus estabelecimentos. Era revolução
religiosa, mas é duvidoso que muitos do povo realmente o soubessem. Do que ele
disse, eles gostaram, e queriam acreditar, e acreditaram mesmo. Enganados e em
erro, todo o tempo pensando que tudo estava bem e que serviam a Deus!
Todas as inovações bem-sucedidas possuem mais ou menos o mesmo gosto popular,
conveniência, orgulho e são aparentemente razoáveis e piedosas. Seja como
for, não eram todos que estavam enganados. Alguns teimosamente resistiram às
inovações, preferindo a autoridade de Deus ao "tão bom quanto..."
do homem. Ainda que conforme todas as aparências Jeroboão tinha sido
bem-sucedido, ele nunca teve a autoridade ou aprovação de Deus, e seu sucesso
aparente não somente levou Israel a sua queda mas arrebatou o reinado de Jeroboão
e destruiu sua posteridade da face da terra. E ainda alguns dizem, "Você não
pode argumentar com sucesso." Você deve discutir com sucesso, meu amigo, e
fazer todo o caminho de volta a Jerusalém.
- por Jere Frost
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