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Isaías 53 (3º de uma série de artigos)
O Libertador desfigurado

O último e mais constrangedor dos "Cânticos do Servo" começa em 52:13 e leva sua visão messiânica a um grande, mas surpreendente, clímax. Agora as sugestões obsessivas de sofrimento que têm se insinuado no meio de declarações do poder do Servo se tornam uma afirmação graficamente minuciosa. Na verdade, é tão vívida a descrição do profeta que do nosso ponto de vista torna-se quase impossível imaginar que ele viveu 750 anos antes da representação destes eventos memoráveis.

Isaías apresenta sua notável descrição do "Servo sofredor" (capítulo 53) dando uma breve, mas poderosa, visão geral de sua história (52:13-15). Deus declara pelo profeta que seu "servo procederá com prudência"; que ele finalmente "será exaltado e elevado e será mui sublime" (versículo 13). Mas se era assim que as coisas seriam finalmente, não era assim que começariam. Esta figura profética sobre quem toda a História estava destinada a depender tinha primeiro que assombrar o mundo com o grotesco de seu aparecimento: uma forma tão desfigurada que não mais parecia humana. E então, tanto quanto eles estavam chocados e repelidos por sua desolação, as nações teriam que ficar ainda mais admiradas pela sua exaltação. De tal degradação era para vir uma tal glória que atordoasse o mundo até o silêncio. Era para ser uma eventualidade nunca ouvida e inimaginável mesmo entre os homens mais poderosos.

Tendo predito claramente o destino definitivo do Servo de Deus, Isaías volta-se para os tristes pormenores da recepção do Messias em Israel. "Quem creu em nossa pregação?" ele lamenta, "e a quem foi revelado o braço do SENHOR?" (53:1). Isaías estava, sem dúvida, aflito pela pertinaz obstinação do povo de seu próprio tempo. Como Deus o tinha advertido, sua pregação, destinada a trazer arrependimento, tenderia mais a endurecer seus teimosos corações até que ficassem como pedra espiritual (6:9-10). Mas o cumprimento final da .profecia de Isaías esperaria a vinda do Messias (João 12:37-40; Mateus 13:13-15). Homens que reverenciam o poder bruto dificilmente conseguem reconhecer a força insuperável ("braço do Senhor") de um Deus justo e santo cujo intento é, não devastar, mas redimir e transformar. Assim, o Servo do Senhor estava destinado a vir a um mundo despreparado para reconhecê-lo ou recebê-lo.

Isaías continua agora a explicar as razões e a extensão da rejeição do Messias. "Porque foi subindo como um renovo perante ele e como raiz duma terra seca..." (53:2). Ele tinha que ser o broto verde que levantaria maravilhosamente do tronco aparentemente morto da casa de Davi (Isaías 11:1). Ele cresceria e floresceria em um Israel que quatro impérios invasores tinham transformado em deserto, numa região da terra onde a corrupção gentia tinha feito inconcebível qualquer grande acontecimento espiritual (Isaías 9:1-2; João 1:46). Era um lugar muito estranho para o Rei do universo surgir.

Mas nem sua origem nem sua aparência seriam achadas minimamente atraentes. "...não tinha aparência nem formosura; olhamo-lo, mas nenhuma beleza havia que nos agradasse" (53:2). Estas palavras, cremos, não se referem principalmente à aparência corporal do Servo. A forma física de Jesus tão pouco preocupou os escritores dos evangelhos que eles não nos dão sequer uma única descrição dela; nenhuma palavra nos diz como ele se parecia, sua altura, ou constituição, ou cor de cabelo ou olhos. Isto é absolutamente notável em biógrafos, especialmente quando dois deles conheciam seu biografado intimamente. Mas isto não seria surpreendente num Deus que disse há muito tempo que ele "olha o coração" (1 Samuel 16:7). Isso só surpreende aqueles que continuam fascinados pelas aparências.

Não foi alguma feiura repulsiva da carne, mas a inesperada e inaceitável humildade de suas circunstâncias, que fizeram com que Israel achasse seu Messias sem atrativos. Ele nasceu, não de óbvia realeza ou posição, mas de uma pequena moça camponesa judia, cuja pobreza tornou impossível, no nascimento de seu filho, até mesmo o sacrifício normal de purificação (Lucas 2:22-24; Levítico 12:6-8). E as circunstâncias de seu nascimento foram espantosas --não num palácio, no meio de multidões adoradoras, mas num estábulo, onde o odor dos animais permanecia, e assistido somente por alguns pastores insignificantes.

Teria sido diferente se seu humilde nascimento tivesse levado a algo mais palpavelmente real. Mas seu humilde nascimento levou a uma vida humilde: o filho de um carpinteiro (Marcos 6:2-3) que não tinha nenhum dinheiro (Mateus 8:20), nenhum, treinamento rabínico (João 7:15), e nenhuma posição social (João 7:48). Ele foi tudo o que os seres humanos comuns temem ser, e não tinha nenhuma daquelas coisas que eles entesouram. Ele era destituído daqueles adornos de riqueza, poder, e sabedoria mundana pelos quais estamos acostumados a reconhecer a importância. Na verdade, ele "não tinha aparência nem formosura" e "nenhuma beleza que nos agradasse". Como poderiam homens que amam o dinheiro, a fama e o poder carnal ter reconhecido que este era Deus feito carne? Ele pediu aos homens que não o julgassem "segundo a aparência" (João 7:24), mas eles não tinham olhos para ver a beleza de sua graça e santidade, nem ouvidos para ouvir a insuperável sabedoria de suas palavras.

­por Paul Earnhart


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