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A edificação da igreja do
Senhor
Construam, lembrando-se
dos erros do passado
Uma das tragédias da História da
igreja é o desenvolvimento do conceito de "igreja histórica", com
todas as suas implicações de hierarquização, centralização e religião
institucionalizada. A cristandade não foi mais a mesma desde o momento em que
os homens se afastaram da estrutura organizacional simples das igrejas do Novo
Testamento. Os historiadores da igreja traçam uma lenta e gradual mudança. O
padrão, na época dos apóstolos, pediu igrejas autônomas, cada uma das quais
era supervisionada por um grupo de presbíteros ou bispos (se houvesse homens
maduros, que fossem qualificados para servir -- Atos 14:23; 20:17,28; Filipenses
1:1; 1 Pedro 5:1-14; Tito 1:5-9). Nos anos logo após a era apostólica,
contudo, o ofício de bispo foi logo desempenhado por apenas um homem na igreja
local, e este único bispo monárquico presidia sobre um grupo de presbíteros.
Conforme os séculos passaram, uma hierarquia começou a se cristalizar.
Metropolitanos (bispos de uma cidade) foram distinguidos dos bispos menos
proeminentes do interior. Ainda mais tarde, patriarcas nas igrejas mais
proeminentes -- em Roma, Constantinopla, Antioquia, Alexandria e Jerusalém --
exerciam considerável influência sobre os bispos metropolitanos.
Foi uma questão de tempo antes que um eclesiástico expandisse o domínio do
seu bispado à condição de jurisdição "universal". No fim do sexto
século, uma grande controvérsia se levantou quando João o Jejuador, em
Constantinopla, reivindicou o título de "bispo universal". Seu rival,
Gregório o Grande, de Roma, recusou a usar o título, mesmo se o seu
predecessor, Pelágio II, o tivesse usado. Provavelmente, esta recusa tenha sido
dirigida nem tanto contra o título em si, quanto era um protesto contra o
portador dele (João), e procedia provavelmente mais de ciúme de um rival em
Constantinopla do que de uma sincera humildade (Schaff, History,
III:329). Em vez disso, diz-se que Gergório I foi o primeiro a usar o
humilde e orgulhoso título de "servo de servos de Deus". Ainda mais,
os sucessores de Gregório em Roma não esperaram muito para chamar a si mesmo
bispos universais.
O conceito de "bispo universal", por direito, pertence somente a
Cristo (1 Pedro 2:25). A hierarquia que agora está centralizada na Cidade do
Vaticano é totalmente estranha ao Novo Testamento. O apóstolo Paulo dirigiu-se
assim à igreja em Filipos: "a todos os santos em Cristo Jesus,
inclusive bispos e diáconos" (Filipenses 1:1). É
interessante notar que a igreja desta cidade da Macedônia tinha uma pluralidade
de supervisores (ou "bispos", episkopois). Neste ponto, Max
Zerwick, que foi um estimado "padre" na Igreja Católica Romana,
escreve: "Plural, indicando que nenhuma distinção ainda tinha sido feita
entre episkopos e presbuteros (An Analysis of the Greek New
Testament, pág. 592). O autor está admitindo que, ao tempo em que Paulo
estava escrevendo, ainda não havia uma distinção entre "bispo" e
"presbítero". Esta é uma confissão significativa!
Quando estive em Roma, em setembro de 1985, comprei um livro por Fabrizio
Mancinelli, intitulado Catacumbas e Basílicas: Os Cristãos Primitivos em
Roma. Esse livro foi publicado em colaboração com a Pontificia Comissão
de Arqueologia Sagrada e os Museus Vaticanos. Discutindo os primeiros séculos
da igreja em Roma, o autor afirma:
"O constante crescimento da comunidade forçou seus dirigentes a adotar
formas mais racionais de organização, um passo para acompanhar o espírito
romano, especialmente durante o período quando todo o mundo civilizado era
governado da cidade e a Igreja foi logo dividido em grupos, talvez segundo o
modelo da enorme colônia judia que já existia em Roma" (pág. 4).
"Os crentes se reuniam em seus lares, para a execução dos ritos eucarísticos,
para receber instrução religiosa e para ajudar aos necessitados. Durante o
terceiro século, um certo número destes lares ricos tornou-se centros
estabelecidos de cristianismo, muito parecidos com as modernas paróquias de
hoje. No quarto século, havia vinte e cinco deles. Cada um destes 'tituli',
como eram chamados, levava o nome do proprietário" (pág. 6).
"Os primeiros começos da organização eclesiástica datam desde o tempo
do Papa Fabiano (236-250). Ele dividiu a cidade em sete distritos e incumbiu
sete diáconos da supervisão das atividades culturais, instrutivas e
caritativas que aconteciam nas 'tituli' de cada um" (pág. 7).
Muitos assuntos ficam claros com estas afirmações, ainda que não tivessem
sido escritas num contexto de autoridade bíblica. Primeiro, podemos questionar
se as novas formas de organização eram "mais racionais" (podemos
melhorar a sabedoria de Deus?), mas não pode haver dúvida de que os chefes da
igreja nos dias pós-apostólicos acreditassem que elas eram mais racionais.
Segundo, a motivação que tinha levado a tais modificações não era a
autoridade bíblica, mas o padrão do governo romano e talvez da "colônia
judia que já existia em Roma".
Um comentário final: quando os escritos atuais argumentam pelo presbitério
"para toda a cidade", que supervisiona uma pluralidade de igrejas em
uma cidade, não somente eles apelam por algo que não está nas Escrituras, mas
apelam para o mesmo tipo de desenvolvimento que resultou na hierarquia romana
católica. Essas tendências são claros afastamentos da fé.
por Mike Wilson
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