|
As parábolas
de Jesus: vislumbres do paraíso
Jesus não foi soldado, nem
estadista, nem comerciante. Ele era mestre, único e incomparável, mas mestre
(Mateus 4:23). Aqueles que o ouviram ficaram "maravilhadas da sua
doutrina; porque ele as ensinava como quem tem autoridade e não como os
escribas" Mateus 7:28-29). Mesmo seus inimigos relatavam que jamais
tinham ouvido um homem falar como Ele (João 7:46). E por que não? Ele era a
mensagem do céu encarnada -- o Verbo se fez carne (João 1:14). Em Jesus os
homens viam, com também ouviam, a verdade. Palavra, pensamentos e atos eram
maravilhosamente unidos nele. E em sua voz estavam os confiantes ecos da
eternidade. Ele tanto sabia, como era, a própria Verdade (João 14:6).
Como mestre, a missão do Filho de Deus era revelar o coração de seu Pai aos
homens, para que conhecessem e entendessem sua graciosa vontade para as vidas
deles. Tal entendimento não poderia ser criado por divino "faça-se".
As maravilhas que Jesus fazia eram notáveis, mas serviam apenas para confirmar
sua mensagem (João 3:1-2) que, como a verdadeira fonte da energia salvadora de
Deus (Romanos 1:16), tinha, finalmente que ser aceita e entendida como eficaz
(João 6:44-45). Por toda sua magnífica demonstração de poder divino, os
milagres não poderiam forçar esse entendimento. Tinha que ser atingido por
instrução paciente e muitas vezes laboriosa que, mesmo depois de longas horas,
dias e meses era submetida a completa rejeição.
Mas por amor perseverante de seu coração Jesus buscava fazer com que todos os
homens entendessem, e escolhia abordagens que eram notáveis por sua
simplicidade. Ele pegava os homens onde eles estavam e buscava levá-los a onde
era necessário que estivessem. Ele se valia do conhecimento deles deste mundo
para ensinar-lhes sobre o porvir. Nada há no estilo de Jesus como professor que
seja maior expressão disto do que suas parábolas, e aqueles que quiserem
entender Jesus precisam chegar finalmente a entender aquelas poderosas histórias
ilustrativas que se tornaram o veículo característico de tantas de suas lições.
As parábolas de Jesus passaram para a História e se tornaram parte intrínseca
de nossa cultura. Ele poderia ter sido imortalizado nos relatos da literatura
apenas por causa delas. Se não fosse por toda sua celebridade, elas seriam tão
pouco entendidas por esta geração como por aquela à qual foram dirigidas
primeiro.
"Parábola", a forma aportuguesada da palavra grega, parabole,
vem de um verbo grego que significa "atirar para o lado". Uma parábola
é uma história que coloca uma coisa ao lado de outra com o propósito de
ensinar. É uma comparação, colocando o conhecido ao lado do desconhecido.
Memoravelmente expressada, ela é "uma história terrestre com um
significado celestial".
A palavra grega para parábola ocorre cerca de cinqüenta vezes no Novo
Testamento, somente duas vezes fora dos evangelhos (Hebreus 9:9 e 11:19, onde é
traduzida como "figuradamente"). Em Lucas 4:23 ela é traduzida
"provérbio" (RA2,NVI). É conhecida característicamente como
uma narrativa "um pouco longa ... tirada da natureza ou das circunstâncias
humanas, o objeto da qual é dar uma lição espiritual" mas também é
"usada como um breve ditado ou provérbio" (W. E. Vine, Expository
Dictionary of NT Words, p. 158).
Por causa da incerteza do que exatamente constitui uma parábola, as listas das
parábolas de Jesus que têm sido compiladas variam em extensão de acordo com o
julgamento do compilador. As listas mais longas incluem tais ilustrações como
"o bom pastor" (João 10) e "os dois construtores" (Mateus
7:24-27). As listas mais curtas excluem-nas.
Se não podemos determinar com exata certeza se algumas ilustrações de Jesus
merecem ser chamadas parábolas, há algumas coisas sobre parábolas que estão
fora de dúvida.
Parábolas não são fábulas ou mitos. Não há elementos irreais ou situações
impossíveis nelas. De fato, sua força está em serem absolutamente concebíveis
e na plausibilidade das circunstâncias que elas descrevem. Elas falam de situações
familiares, da vida real.
As parábolas são mais do que provérbios, ainda que às vezes semelhantes em
propósito. Nos evangelhos, os provérbios são referidos às vezes como
"parábolas": "Médico, cura-te a ti mesmo" (Lucas
4:23); "Ora, se um cego guiar outro cego, cairão ambos no
barranco" (Mateus 15:14-15); "Ninguém tira um pedaço
de veste nova e o põe em veste velha;" "E ninguém põe vinho novo em
odres velhos..." (Lucas 5:36-37). Mas um provérbio é
caracteristicamente um ditado curto e direto, cujo significado é evidente. Uma
parábola tende a ser mais longa, mais envolvida, e o significado não tão
facilmente visto.
Jesus, até onde sabemos, não começou a ensinar por parábolas antes do fim do
segundo ano de seu ministério público (há uma única exceção, Lucas
7:41-42). Foi na presença de uma imensa multidão próximo do Mar da Galiléia,
e suas comparações ilustrativas vieram com um ímpeto que surpreendeu seus
discípulos (Mateus 13). Em histórias maravilhosamente concretas e simples,
Jesus revelou aos seus seguidores os mistérios do reino do céu. Era apenas o
começo. Este é um convite para estudar aquelas narrativas maravilhosas que nos
convidam a olhar para o próprio coração de Deus.
por Paul Earnhart
|